A Petrobras anunciou uma redução acumulada de cerca de 12% no preço do diesel vendido às distribuidoras em 2025. Foram três cortes em pouco mais de um mês. O último ajuste, em maio, reduziu o preço médio do diesel A para R$ 3,27 por litro, uma queda de R$ 0,16. Considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel fóssil e 14% de biodiesel, a parcela da Petrobras no preço final ao consumidor passou a ser R$ 2,81 por litro. Isso representa uma redução de R$ 0,14 por litro para o consumidor final. Desde dezembro de 2022, o preço do diesel nas refinarias caiu R$ 1,22 por litro. Ajustado pela inflação, esse corte real é próximo de 35%.

Essa sequência de cortes foi motivada pela queda dos preços internacionais do petróleo. O recuo ocorreu devido à guerra tarifária entre Estados Unidos e China, temores de recessão global e aumento da oferta. O grupo Opep+ decidiu acelerar a produção. O preço do barril Brent caiu cerca de US$ 15 entre o fim de março e maio. Isso influenciou diretamente o custo do diesel no Brasil.
Apesar da queda no preço do diesel nas refinarias, o impacto no preço final nos postos é menor. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostram que, em 2025, enquanto a Petrobras cortou o preço em 12%, os postos aumentaram o preço médio em 3%. Isso ocorre porque o preço final inclui impostos federais (PIS, Cofins), estaduais (ICMS), custos logísticos, margens de distribuição e revenda, além do biodiesel.
Impactos para o consumidor e a economia
Esse cenário faz com que o consumidor sinta uma redução muito mais tímida no preço da bomba, o que tem gerado críticas e preocupação, especialmente porque o diesel é um insumo essencial para o transporte de mercadorias e, consequentemente, para o custo dos alimentos e outros produtos básicos. A alta dos preços nos postos, mesmo diante da queda no preço da Petrobras, limita o efeito benéfico da redução do combustível sobre a inflação e o custo de vida da população.
Especialistas dizem que a Petrobras tem adotado uma postura conservadora. A estatal analisa o mercado a cada 15 dias e promove cortes gradativos para evitar oscilações bruscas. Novos ajustes podem ocorrer conforme o cenário econômico mundial. O repasse integral dos cortes depende da atuação das distribuidoras, postos e políticas tributárias.
Em resumo, a Petrobras reduziu significativamente o preço do diesel para as distribuidoras em 2025, beneficiando o mercado atacadista, mas os consumidores finais enfrentam uma realidade diferente, com preços nos postos que têm subido levemente. Isso evidencia a complexidade do mercado de combustíveis no Brasil, onde fatores como impostos, logística e margens comerciais influenciam fortemente o preço final, diluindo os efeitos das quedas praticadas pela estatal.
