Desde maio de 2023, a política de preços da Petrobras para gasolina e diesel deixou de seguir obrigatoriamente o Preço de Paridade de Importação (PPI). A empresa passou a usar uma "estratégia comercial" baseada em duas referências: o custo alternativo do cliente e o valor marginal para a própria Petrobras, com reajustes sem periodicidade fixa.
Na prática, isso explica por que o preço nas refinarias nem sempre acompanha o petróleo no mesmo ritmo e por que um reajuste anunciado demora a aparecer na bomba. Entenda como cada peça funciona.
O que era o PPI?
O Preço de Paridade de Importação foi adotado pela Petrobras a partir de 2016. Por ele, o preço da gasolina e do diesel nas refinarias era calculado como se o produto fosse importado: cotação internacional, câmbio, frete, seguro e custos portuários. O objetivo era alinhar a estatal ao mercado externo e evitar prejuízos com preços represados.
O efeito colateral era a volatilidade: com petróleo e dólar oscilando, os reajustes eram frequentes. Em 2017, houve uma sequência de mudanças em curtos intervalos, e a pressão sobre o diesel esteve entre os fatores da greve dos caminhoneiros de 2018.
O que mudou em 2023
Em 16 de maio de 2023, a Petrobras anunciou a nova estratégia comercial, aprovada pela diretoria executiva, que encerrou a subordinação obrigatória ao PPI. Segundo a empresa, os preços passaram a considerar:
- Custo alternativo do cliente: quanto o comprador (distribuidora) pagaria para obter o mesmo produto, ou um substituto, de outros fornecedores, como importadores e refinarias privadas;
- Valor marginal para a Petrobras: o que a empresa deixaria de ganhar ou passaria a ganhar com cada alternativa de produção, importação ou exportação.
A estratégia também prevê preços competitivos por polo de venda, participação ótima no mercado, otimização do refino e rentabilidade sustentável. Os reajustes continuam sem periodicidade definida, com a intenção declarada de evitar repassar a volatilidade de curto prazo do petróleo e do câmbio.
PPI x estratégia comercial
| PPI (2016–2023) | Estratégia comercial (desde 2023) | |
|---|---|---|
| Referência principal | Custo de importar o produto | Custo alternativo do cliente e valor marginal |
| Frequência de reajustes | Mais frequente | Sem periodicidade fixa, menos frequente |
| Diferença por região | Menor | Preços competitivos por polo de venda |
| Transparência da fórmula | Referências públicas | Critérios gerais, sem fórmula divulgada |

Por que o reajuste da refinaria demora a chegar à bomba?
A Petrobras vende para distribuidoras, não para postos nem para o motorista. Entre a refinaria e o tanque do seu carro, o preço passa por várias etapas:
- Produtor ou importador: Petrobras, refinarias privadas e importadores;
- Mistura obrigatória: etanol anidro na gasolina e biodiesel no diesel;
- Tributos: federais e o ICMS estadual;
- Distribuidora: logística, armazenagem e margem;
- Posto: custos de operação e margem de revenda.
Os postos ainda têm estoque comprado ao preço anterior. Por isso, uma redução ou aumento na refinaria leva dias ou semanas para aparecer por completo na pesquisa da ANP — e nem sempre na mesma proporção, porque as outras parcelas também mudam.
A Petrobras define o preço da bomba?
Não. Os preços de revenda são livres no Brasil. A Petrobras influencia uma parte relevante do custo, mas não controla tributos, margens de distribuição e revenda nem o preço dos importadores. Além disso, a empresa não é a única fornecedora: o mercado tem refinarias privadas e importadores, principalmente no diesel, em que a importação é significativa. Saiba mais em por que o diesel está mais caro que a gasolina.
Críticas e debates
A estratégia comercial tem defensores e críticos. Quem apoia destaca a menor volatilidade e o uso das vantagens de produzir e refinar no país. Quem critica aponta a falta de uma fórmula pública, o risco de interferência política e o possível impacto na competição com importadores. Analistas de mercado, à época, classificaram o modelo como mais subjetivo que o PPI.
Como acompanhar os preços
- Comunicados da Petrobras: a empresa informa reajustes nas refinarias em seus canais oficiais;
- ANP: o levantamento semanal mostra o efeito nas bombas. Veja como consultar o preço dos combustíveis na ANP;
- Notícias do setor: o blog do Baratão acompanha preço de combustível, ANP e Petrobras.
Para entender a outra metade do diesel que chega ao posto, a parte renovável, leia o que é biodiesel.
Perguntas frequentes
A Petrobras ainda usa o PPI?
Não como regra obrigatória. Desde maio de 2023, a empresa adota uma estratégia comercial que considera o custo alternativo do cliente e o valor marginal para a Petrobras.
Com que frequência a Petrobras reajusta os preços?
Sem periodicidade fixa. A empresa declara buscar evitar o repasse da volatilidade de curto prazo.
Se a Petrobras baixa o preço, a bomba cai na hora?
Não. Estoques, tributos e margens de distribuição e revenda fazem o efeito chegar aos poucos e nem sempre integralmente.
Quem define o preço do posto?
Cada posto. Os preços de revenda são livres no Brasil.
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