BYD Lança Modelo de Carro Exclusivo Para Motoritas de App

BYD lança carro elétrico exclusivo para motoristas de app e táxi, e o que isso significa para o futuro do transporte por aplicativo no Brasil

Imagine um carro pensado desde o primeiro parafuso para uma única missão: rodar, rodar e rodar. Não para passeios de fim de semana, não para viagens de férias em família e nem para impressionar vizinhos na garagem. Um carro que nasce para trabalhar. É exatamente isso que a BYD apresentou ao mercado no início de 2026: o Linghui e5, um sedan elétrico criado sob uma nova marca da montadora chinesa voltada exclusivamente para motoristas de aplicativo e taxistas.

A notícia em si pode parecer mais um lançamento técnico entre tantos que acontecem no setor automotivo. Mas quando a maior fabricante de veículos elétricos do mundo decide criar uma submarca inteira dedicada a frotistas, isso diz muito sobre o tamanho desse mercado, sobre para onde o transporte urbano está caminhando e sobre como a conta do motorista que depende do carro para sobreviver está mudando de forma bastante significativa.

Para entender o peso dessa jogada da BYD, é preciso olhar para o cenário completo: quem são esses motoristas, quanto eles gastam com o veículo, o que o elétrico muda nessa equação financeira, como o Brasil se encaixa nessa história e o que o mundo já aprendeu sobre esse assunto.

Quem é o motorista de aplicativo no Brasil?

O Brasil tem hoje um dos maiores contingentes de motoristas de aplicativo do mundo. De acordo com pesquisa do Cebrap realizada em 2024, o número de motoristas que trabalham por meio de aplicativos para transporte de passageiros cresceu 35% no período de 2022 a 2024 no Brasil, chegando a 1.721.614 motoristas. Somados aos entregadores por plataforma, o país registra mais de 2,2 milhões de pessoas nessa categoria.

Esses números não são apenas grandes. Eles crescem de forma acelerada e revelam uma transformação profunda no mercado de trabalho brasileiro. No terceiro trimestre de 2024, 1,9 milhão de pessoas estavam ocupadas como condutores de automóveis em seu trabalho principal, sendo que 43,8% delas, ou seja, 824 mil pessoas, trabalhavam com aplicativos.

O perfil desse trabalhador também é bastante definido. Em 2024, a maioria eram homens com ensino médio completo, com idade média de 41 anos para motoristas e 31 anos para entregadores. Em torno de 38% dos motoristas têm renda familiar de 3 a 5 salários mínimos, e 30% de até 3 salários mínimos.

A renda que esse trabalho proporciona é mais competitiva do que muita gente imagina. Os dados apurados demonstram que a renda líquida média dos motoristas por aplicativos em 2024 varia entre R$ 3.083 e R$ 4.400 por mês para quem dirige 40 horas semanais, valores acima do salário mínimo e da remuneração média do mercado para pessoas com a mesma escolaridade.

No entanto, há um detalhe crucial que raramente entra nessa conta: o custo do carro. Para o motorista de aplicativo, o veículo não é apenas transporte. É ferramenta de trabalho. É o escritório. É o instrumento que, se apresenta um problema mecânico, interrompe imediatamente a renda. Por isso, a escolha do carro não é uma decisão apenas de estilo ou conforto. É uma decisão financeira que define, na prática, o quanto esse trabalhador efetivamente leva para casa ao final do mês.

O carro que o motorista de aplicativo usa hoje

Por muito tempo, a escolha do carro para trabalhar com aplicativo foi praticamente automática: Chevrolet Onix, Hyundai HB20 ou Volkswagen Gol. Modelos baratos, com peças acessíveis, fáceis de encontrar em qualquer oficina do país e com um consumo relativamente razoável de combustível. O Onix é, até hoje, o carro mais utilizado pelos motoristas parceiros tanto na 99 quanto na Uber, seguido pelo Gol e pelo HB20, que aparecem consistentemente no top 3 das duas plataformas.

Esses carros têm qualidades evidentes para quem trabalha com transporte. O Onix, por exemplo, na versão 1.0, faz em média 13,3 km/l com gasolina na cidade. Para alguém que roda 200 km por dia, isso representa algo em torno de 15 litros de combustível consumidos diariamente. Com a gasolina em torno de R$ 6,00 o litro nas grandes capitais brasileiras, estamos falando de cerca de R$ 90 por dia só em combustível. Multiplicado por 25 dias úteis de trabalho no mês, o gasto com gasolina chega a R$ 2.250 mensais, sem contar o custo das manutenções periódicas.

E aqui entra o nó da questão para boa parte dos motoristas de aplicativo: após descontar o combustível, as revisões obrigatórias, o seguro e a depreciação do veículo, a margem líquida de lucro por corrida é bastante apertada. Não é à toa que a eletrificação da frota tem ganhado força nesse segmento de forma tão acelerada.

A própria preferência dos motoristas já sinaliza essa mudança. Tanto na 99 quanto na Uber, a lista de elétricos mais usados é liderada pelo BYD Dolphin, seguido do BYD Dolphin Mini e do JAC EJS1. A plataforma 99 registrou 7,5 milhões de viagens em veículos elétricos e híbridos em 2024, atendendo mais de 11 milhões de passageiros ao longo do ano.

A matemática que muda tudo: elétrico vs. combustão para quem roda muito

Para o motorista comum, que percorre 35 ou 40 km por dia entre casa e trabalho, a diferença entre um carro elétrico e um a gasolina pode ser relevante, mas não é decisiva no curto prazo. O investimento inicial mais alto em um elétrico demora alguns anos para se pagar com a economia no combustível.

Para o motorista de aplicativo, no entanto, essa conta muda de figura de forma dramática. A razão é simples: ele roda de quatro a seis vezes mais quilômetros por dia do que um motorista comum. O custo por quilômetro de um carro elétrico pode ser até cinco vezes menor que o de um modelo a gasolina, chegando em alguns casos a cerca de R$ 0,10 por km. Já a manutenção pode ser de 30% a 50% mais barata, devido à menor quantidade de peças e ao menor desgaste mecânico.

Os números ficam ainda mais claros quando comparamos a margem de lucro real. De acordo com levantamento da GigU, baseado em mais de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros, motoristas de aplicativo podem ter até 70% a mais de lucro com carros elétricos em comparação com veículos movidos a gasolina. Os elétricos operam com margem líquida mediana de 57%, enquanto veículos a gasolina registram 36,8%.

Na prática do dia a dia, isso significa uma diferença considerável por hora trabalhada. Em Fortaleza, por exemplo, motoristas da categoria UberX com veículo elétrico lucram R$ 16,05 por hora, praticamente o dobro dos R$ 8,91 registrados por motoristas que utilizam gasolina, sem nenhuma mudança de jornada ou demanda. Em Manaus, motoristas com carro elétrico chegam a R$ 27,64 por hora, enquanto aqueles que utilizam gasolina ficam em R$ 8,92.

Para entender de onde vem essa diferença, basta pensar no custo mensal de operação. Um motorista de aplicativo que roda em média 4.800 km por mês gasta até R$ 1.200 com energia elétrica, e a manutenção é praticamente inexistente. O custo total fica em torno de R$ 0,25 por quilômetro rodado, três vezes menor que o de um carro a combustão nas mesmas condições.

Somando a economia em energia e a redução nos custos de manutenção, o impacto ao longo do tempo é substancial. A diferença mensal entre o custo de operação de um carro elétrico e um a combustão pode chegar a R$ 2.300. Em cinco anos de uso, essa diferença acumulada equivale a cerca de R$ 138 mil.

Vale reforçar o que não exige troca em um elétrico: óleo do motor, filtro de óleo, filtro de ar, velas de ignição, correia dentada, embreagem. Todos esses componentes simplesmente não existem no veículo movido a bateria. As revisões, quando necessárias, são mais simples e mais baratas. Para alguém que usa o carro como ferramenta de trabalho durante 10 ou 12 horas por dia, isso representa menos tempo parado na oficina e mais tempo gerando renda.

Quem é a BYD e por que ela importa para essa história

Antes de entrar nos detalhes do Linghui e5, é importante contextualizar quem é a empresa por trás dele. A BYD, sigla para Build Your Dreams, é uma montadora chinesa fundada em 1995. Começou fabricando baterias para celulares e, ao longo das décadas seguintes, se transformou na maior fabricante de veículos elétricos do mundo, superando inclusive a Tesla em volume de vendas globais.

A presença da BYD no Brasil é uma história de crescimento impressionante. A montadora registrou 76.713 veículos novos no Brasil em 2024, um aumento de 327,68% em relação ao ano anterior. Em 2025, as vendas superaram 113 mil unidades. Em quatro anos, a empresa passou de menos de 300 veículos vendidos no país para a liderança no mercado brasileiro de veículos de nova energia, que se tornou o maior mercado da BYD fora da China.

Esse crescimento não é acidental. A BYD entendeu cedo que o Brasil tem um perfil extremamente favorável para a eletrificação: uma matriz elétrica limpa e renovável, cidades congestionadas que penalizam o consumo de combustível e uma massa enorme de trabalhadores que dependem do carro para gerar renda diariamente.

A empresa foi além e decidiu produzir localmente. Com um investimento de R$ 5,5 bilhões, a BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari, na Bahia, em 1º de julho de 2025. Com 4,6 milhões de metros quadrados, a unidade é a maior da BYD fora da Ásia, com capacidade anual inicial de 150 mil veículos e planos de expansão para até 600 mil unidades anuais. Além da Bahia, a empresa mantém operações em Campinas, onde fabrica módulos fotovoltaicos e chassis de ônibus elétricos, e em Manaus, onde produz baterias.

A estratégia da BYD no Brasil é de longo prazo e estrutural. A empresa anunciou ainda um investimento de R$ 300 milhões na construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento no Rio de Janeiro, com operação prevista para 2028. O centro realizará testes de potência, durabilidade e desempenho de veículos e criará um banco de dados de clima tropical para adaptar modelos às condições do mercado sul-americano.

O Linghui e5: um carro construído para trabalhar

É dentro desse contexto de expansão estratégica da BYD que nasce o Linghui e5. O modelo foi apresentado em fevereiro de 2026 sob uma nova marca chamada Linghui, criada especificamente para atender o segmento de frotas profissionais. A decisão de criar uma marca separada não é apenas de branding. É uma escolha estratégica que permite à BYD vender diretamente para frotistas, gestoras de frotas e empresas de aluguel de veículos sem misturar esses modelos com suas linhas de consumo, que têm posicionamentos e margens comerciais distintos.

O Linghui e5 tem cerca de 4,8 metros de comprimento, um número relevante para o contexto de uso: é um carro de porte médio, com espaço interno generoso para passageiros. A distância entre os eixos de 2,71 metros garante muito conforto para quem viaja no banco traseiro, algo essencial para quem recebe avaliações dos passageiros ao final de cada corrida. Em plataformas como Uber e 99, a nota do motorista depende diretamente da experiência que o passageiro tem dentro do veículo.

Debaixo do capô, o modelo é 100% elétrico, com motor dianteiro de aproximadamente 135 cavalos de potência. É energia suficiente para rodar bem em ambiente urbano, sem excessos que aumentem o consumo de forma desnecessária. A base técnica vem do BYD Qin Plus, um sedan de sucesso da marca, mas adaptada com suspensão reforçada, materiais internos mais resistentes ao uso intenso e sistemas eletrônicos simplificados, porque para quem usa o carro 10 horas por dia, a complexidade tecnológica pode se tornar um problema quando algo dá errado.

O acabamento interno é funcional, sem grandes luxos. E é exatamente aí que está a lógica do produto: cada real investido em acabamento premium não faz diferença para quem está atrás do volante por 300 dias no ano. Mas cada real economizado na manutenção, no consumo e nas revisões faz diferença enorme no extrato bancário ao final do mês.

A bateria foi projetada para suportar múltiplas recargas ao longo do dia e conta com um sistema de recuperação de energia na frenagem, o que ajuda a aumentar a autonomia no trânsito urbano congestionado, exatamente onde o motorista de aplicativo passa a maior parte do tempo.

O desafio da recarga: o ponto crítico do elétrico para quem trabalha

Toda a vantagem financeira do carro elétrico esbarra em uma questão prática que precisa ser discutida com honestidade: a recarga. Para o motorista comum, recarregar o carro em casa durante a noite resolve o problema. Para o motorista de aplicativo que roda 200, 250 ou 300 km por dia, a autonomia do veículo e a disponibilidade de pontos de recarga são variáveis operacionais críticas.

Um motor elétrico com autonomia declarada de 300 a 400 km em condições ideais pode apresentar autonomia real de 250 km quando se considera o ar-condicionado ligado, o trânsito parado e as temperaturas mais altas das cidades brasileiras. Isso significa que, dependendo da jornada, o motorista precisa de pelo menos uma recarga ao longo do dia.

A recarga rápida, feita em postos específicos, leva de 30 a 45 minutos para recuperar 80% da bateria. Para um motorista que trabalha em um grande centro urbano, como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília, esse tempo pode ser administrável se planejado como uma pausa para almoço ou descanso. Mas ainda existe uma lacuna significativa na infraestrutura de recarga pública no Brasil, especialmente fora das capitais.

A comparação com o que acontece no exterior é inevitável e reveladora. A infraestrutura de carregamento de veículos elétricos na China avançou 47,6% só no primeiro trimestre de 2025, chegando a 13,75 milhões de instalações entre carregadores públicos e privados em áreas urbanas e rurais. Nas rodovias chinesas, 98% das áreas de serviço já oferecem carregamento de veículos elétricos. Esse nível de infraestrutura muda completamente a viabilidade do elétrico para quem trabalha dirigindo todos os dias.

No Brasil, essa realidade ainda está sendo construída, o que torna o planejamento da recarga um fator decisivo para quem pensa em migrar para o elétrico hoje. A boa notícia é que as principais redes de shoppings, supermercados e postos de combustível já investem em eletropostos nas grandes cidades. Em capitais como São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília, a rede de recarga cresceu significativamente nos últimos dois anos e a tendência é de aceleração nesse investimento, especialmente à medida que a frota elétrica cresce e a demanda por recarga aumenta.

O que o mundo já aprendeu com a eletrificação de frotas

O Brasil não precisa inventar essa roda. Outros países já passaram por essa transição e deixaram aprendizados valiosos. O exemplo mais emblemático vem de Londres, onde os clássicos táxis pretos, os London Black Cabs, passaram por uma transformação radical. Metade dos táxis londrinos já são elétricos, resultado de uma combinação entre regulamentação imposta pela cidade e o menor custo de utilização que levou os taxistas a adotarem progressivamente o modelo eletrificado.

A China, como de costume em matéria de veículos elétricos, saiu bem à frente. Governos locais chineses converteram suas frotas inteiras de transporte público e táxi para veículos 100% elétricos e incentivaram agências públicas a adquirir híbridos elétricos ou plug-in. O resultado foi um negócio estável para fabricantes como a BYD, que também produz ônibus elétricos, criando um ciclo de expansão que beneficiou toda a infraestrutura de recarga naquelas cidades.

Esse movimento governamental foi decisivo para acelerar a adoção em larga escala. Quando frotas inteiras de táxi passam para o elétrico, a infraestrutura de recarga precisa acompanhar, criando um ciclo virtuoso que beneficia todos os usuários de elétricos naquelas regiões. É um modelo que o Brasil ainda não implementou de forma sistêmica, mas que começa a aparecer em iniciativas isoladas em algumas capitais.

Nos Estados Unidos, a Uber fechou acordo global com a BYD para acrescentar 100 mil veículos da marca nos mercados em que atua, incluindo o Brasil. No território nacional, a plataforma lançou a categoria Uber Green em São Paulo com planos de ampliar para outras capitais. São sinais claros de que as próprias plataformas entendem que a eletrificação das frotas é inevitável e estão posicionando seus produtos para esse futuro.

Linghui e5 vs. os carros mais usados no Brasil: o que muda na prática

Para que a comparação fique concreta, vale colocar o Linghui e5 ao lado dos modelos mais usados por motoristas de aplicativo no Brasil e pensar nas diferenças práticas para quem vive de dirigir.

O Chevrolet Onix 1.0, líder absoluto nas frotas de aplicativo no Brasil, tem consumo médio de 13,3 km/l na cidade com gasolina. Para quem roda 4.800 km por mês, isso representa cerca de 360 litros de combustível. Com a gasolina a R$ 6,00 o litro, o gasto mensal chega a aproximadamente R$ 2.160 só em combustível. Somando as revisões periódicas com troca de óleo, filtros e outros itens obrigatórios em um motor a combustão, o custo operacional mensal facilmente ultrapassa R$ 2.500.

Um elétrico como o Linghui e5, rodando os mesmos 4.800 km por mês, consome em torno de 480 kWh de energia. Com o preço médio do kWh em torno de R$ 0,90 para recarga pública, o gasto mensal com energia fica em torno de R$ 430. A manutenção mensal de um elétrico, sem troca de óleo e com revisões muito mais simples, fica frequentemente abaixo de R$ 100 por mês.

A diferença mensal na operação entre os dois veículos pode facilmente superar R$ 2.000. Em um ano, essa economia representa mais de R$ 24.000. Em quatro anos de uso do veículo, estamos falando de uma diferença que pode superar R$ 96.000 apenas no custo operacional. Esse é o tipo de número que muda completamente a decisão de compra para alguém que usa o carro como instrumento de trabalho.

Outra vantagem prática está no nível de serviço que o elétrico permite. Com um sedan maior e mais silencioso, o motorista pode se habilitar para categorias de maior valor nas plataformas, como Comfort ou Black. O tamanho do Linghui e5, com seus 4,8 metros, posiciona o modelo naturalmente nessas categorias superiores, onde as tarifas são mais altas e o lucro por corrida é maior.

Vem para o Brasil? O que esperar

Até o momento em que este texto foi produzido, o Linghui e5 foi lançado especificamente para o mercado chinês, onde a BYD tem a maior parte de sua base instalada de frotistas. Mas a pergunta sobre quando esse modelo chega ao Brasil é legítima e tem resposta possível.

A BYD já demonstrou que o Brasil é um mercado estratégico de primeira linha. Com uma fábrica em pleno funcionamento em Camaçari e um mercado de motoristas de aplicativo com mais de 1,7 milhão de pessoas, a lógica de trazer um modelo como o Linghui e5 para o território brasileiro é bastante clara. A base técnica do Linghui e5, derivada do BYD Qin Plus, é relativamente simples de ser adaptada para a produção local, e a fábrica da Bahia já tem capacidade para diferentes modelos.

Há, no entanto, barreiras reais a considerar. O preço de venda no mercado brasileiro tende a ser mais alto do que na China por conta da estrutura tributária sobre veículos elétricos. Outro ponto relevante é a necessidade de uma rede de assistência técnica preparada para o modelo, o que demanda tempo de implantação.

O mais provável, com base no movimento que a BYD já está fazendo no Brasil, é que modelos da linha Linghui cheguem ao mercado nacional nos próximos dois a três anos, possivelmente produzidos ou montados em Camaçari. A questão não é se isso vai acontecer, mas quando.

O futuro do trabalho de motorista de aplicativo com a eletrificação

A chegada de carros como o Linghui e5 ao mercado global não é um evento isolado. É o reflexo de uma mudança estrutural na forma como o mundo pensa o transporte urbano remunerado. E ela tem implicações que vão além do custo do combustível.

O motorista de aplicativo que migra para um elétrico hoje está fazendo uma aposta financeira calculada: investe mais no início, mas reduz seus custos operacionais a um ponto em que o trabalho se torna significativamente mais rentável. Um carro elétrico bem cuidado tem vida útil do motor muito maior do que um motor a combustão submetido ao uso intenso de uma jornada de aplicativo.

A própria dinâmica das plataformas está se ajustando a essa realidade. Categorias exclusivas para elétricos, bônus para motoristas que usam veículos de baixa emissão e acordos com fabricantes para subsidiar a entrada nesse mercado apontam para um ecossistema que vai progressivamente tornar o elétrico não apenas vantajoso, mas praticamente necessário para quem quiser ser competitivo nas plataformas de transporte.

O mercado global também confirma esse caminho. Em 2024, os veículos eletrificados somaram mais de 17 milhões de unidades vendidas no mundo, considerando todas as marcas do mercado. Esse número cresce a cada ano e impulsiona o investimento das montadoras no desenvolvimento de mais modelos elétricos acessíveis, o que em última análise beneficia diretamente o motorista de aplicativo que precisa de um veículo funcional e barato de operar.

Curiosidades e dados que surpreendem

O motor elétrico tem uma vantagem de durabilidade que raramente é mencionada nas comparações de veículos. Enquanto um motor a combustão tem, em média, entre 150 mil e 250 mil km de vida útil antes de precisar de uma revisão maior, o motor elétrico pode durar 500 mil km ou mais sem intervenções significativas. Para um motorista de aplicativo que roda 50.000 km por ano, isso significa uma vida útil do motor que supera uma década de uso intenso.

Outro dado que chama atenção: o freio do carro elétrico dura muito mais do que o do carro a combustão. Isso acontece porque o sistema de regeneração de energia aproveita a desaceleração do veículo para recarregar a bateria, reduzindo o uso das pastilhas de freio convencionais. Para quem para e arranca dezenas de vezes por hora no trânsito de uma grande cidade, isso representa uma economia considerável nas revisões.

O silêncio do motor elétrico, que pode parecer apenas um detalhe de conforto, tem impacto direto na avaliação dos passageiros. Estudos de comportamento de consumidores em plataformas de transporte mostram que passageiros tendem a avaliar melhor viagens mais silenciosas e confortáveis. Um sedan elétrico silencioso, com motor que não vibra e ar-condicionado que não compete com o barulho do motor, cria uma experiência de viagem que se reflete diretamente em melhores notas para o motorista.

A BYD não está sozinha nessa corrida. Outras montadoras chinesas como GAC, Geely e SAIC também desenvolvem modelos voltados para frotas de aplicativos. A competição entre essas empresas tende a derrubar preços e melhorar as especificações dos veículos ao longo do tempo, o que é uma ótima notícia para o motorista brasileiro que ainda aguarda a chegada dessas opções ao mercado nacional a preços mais acessíveis.

Conclusão: uma mudança que já começou

A apresentação do Linghui e5 pela BYD é mais do que o lançamento de um novo modelo de carro. É a formalização de um mercado que a maior fabricante de elétricos do mundo enxerga como estratégico, relevante e em expansão acelerada.

No Brasil, esse movimento encontra um terreno extremamente fértil. São mais de 1,7 milhão de motoristas de aplicativo que usam o carro como principal ferramenta de trabalho, rodando quilômetros em quantidade muito superior à do motorista comum, com custos operacionais que corroem a margem de lucro e com uma necessidade real de soluções que tornem o trabalho mais rentável.

O elétrico, como fica evidente pelos dados, já é uma resposta financeira mais inteligente para esse perfil de uso. A vantagem em custo por quilômetro, a redução nas manutenções e a possibilidade de acessar categorias mais lucrativas nas plataformas fazem do veículo elétrico uma escolha que vai além do discurso ambiental. É, antes de tudo, uma decisão econômica racional.

O mundo está fazendo essa conta. Londres já fez. A China fez e saiu muito à frente. O Brasil está no meio desse processo, com uma das maiores montadoras de elétricos do planeta produzindo localmente, com um mercado de trabalhadores por plataforma que não para de crescer e com uma infraestrutura de recarga que, ainda que limitada, avança a cada trimestre.

Para o motorista de aplicativo brasileiro, a pergunta não é mais se vai valer a pena migrar para o elétrico. A pergunta é quando essa transição vai se tornar inevitável. E os sinais indicam que essa hora está chegando mais rápido do que a maioria imagina.

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