Combustível do futuro: Brasil investe R$ 12 bi em hidrogênio verde

O Combustível que Nasce da Água e Pode Mudar o Mundo

Imagine um combustível que não emite fumaça, não polui o ar e é produzido a partir de um dos recursos mais abundantes do planeta: a água. Parece ficção científica, mas é exatamente isso que o hidrogênio verde promete entregar. E o Brasil está, neste momento, se posicionando para ser um dos maiores produtores desse combustível no mundo, com um investimento de R$ 12 bilhões chegando ao Nordeste e projetos que somam centenas de bilhões de reais em desenvolvimento.

Para entender o tamanho dessa oportunidade, é preciso começar pelo começo: o que exatamente é o hidrogênio verde, por que ele importa, e por que o Nordeste brasileiro é o lugar certo para produzir esse combustível do futuro.

O que é hidrogênio e por que existe um “verde”?

O hidrogênio é o elemento químico mais simples e mais abundante do universo. Ele existe em praticamente tudo: na água, nos combustíveis fósseis, nos organismos vivos. O problema é que, na natureza, ele quase nunca aparece sozinho. Para ser usado como combustível, ele precisa ser extraído de algum lugar, e é justamente aí que o assunto fica mais complicado.

Hoje, a quase totalidade do hidrogênio produzido no mundo, algo em torno de 99%, é obtida a partir de fontes não renováveis, especialmente do gás natural, por meio de um processo chamado reforma a vapor. Esse processo é barato, mas emite uma quantidade considerável de gás carbônico. Esse tipo de hidrogênio é chamado de “cinza”, porque carrega a pegada das emissões de carbono no seu processo de fabricação.

Existe também o hidrogênio “azul”, considerado uma opção intermediária. Ele é produzido da mesma forma que o cinza, mas com um diferencial: o carbono gerado durante o processo é capturado e armazenado, em vez de ser lançado na atmosfera. Ele emite menos, mas não é livre de emissões.

E então existe o hidrogênio verde. Esse é diferente desde a origem. Ele é produzido a partir de um processo chamado eletrólise da água: uma corrente elétrica é aplicada sobre a água (H2O), separando as moléculas de hidrogênio das de oxigênio. O resultado é hidrogênio puro de um lado e oxigênio puro do outro. Quando a eletricidade usada nesse processo vem de fontes renováveis, como energia solar ou eólica, não há emissão de carbono em nenhuma etapa da produção. É por isso que ele é “verde”: do início ao fim, é limpo.

Para ter uma ideia da diferença na emissão entre os tipos: a substituição do hidrogênio cinza pelo verde ajudaria a evitar cerca de 830 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente às emissões do Reino Unido e Indonésia juntos, segundo a Agência Internacional de Energia.

Por que ele é chamado de “combustível do futuro”?

O hidrogênio verde aparece como uma resposta para um problema que os especialistas chamam de “setores de difícil descarbonização”. Existem indústrias e meios de transporte que consomem energia em volumes tão altos que a eletrificação direta, como no caso dos carros elétricos comuns, ainda não é uma solução viável. Siderurgia, aviação, transporte marítimo e indústria química são os principais exemplos.

Segundo a Deloitte, a descarbonização de indústrias como siderúrgica, química, de aviação e naval deve multiplicar o uso global de hidrogênio em seis vezes até 2050, para quase 600 milhões de toneladas. Esse número dá a dimensão do mercado que está se formando.

O hidrogênio verde tem outra vantagem que o torna especialmente atraente: ele pode ser armazenado e transportado, ao contrário da energia elétrica produzida por painéis solares e turbinas eólicas, que precisa ser usada praticamente no momento em que é gerada. O hidrogênio pode ser convertido em amônia ou metanol, que são formas mais fáceis de transportar em longas distâncias, inclusive por navios. Isso abre a possibilidade de países com alto potencial de geração renovável exportarem energia limpa para nações que não têm as mesmas condições naturais.

O mercado global: números que impressionam

O mercado de hidrogênio verde ainda está na sua infância, mas as projeções para as próximas décadas são de tirar o fôlego. Segundo a Deloitte, a comercialização do hidrogênio verde pode superar a do gás natural líquido até 2030, gerando um mercado de US$ 1,4 trilhão anuais até 2050.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a demanda global de hidrogênio chegou perto de 94 milhões de toneladas em 2021 e deve chegar a 175 milhões de toneladas em 2030. O crescimento esperado é expressivo, mas o desafio é igualmente grande: para ajudar a alcançar a neutralidade de carbono até 2050, será preciso investir mais de US$ 9 trilhões na cadeia global de abastecimento de hidrogênio limpo.

Outro dado que mostra a virada que está acontecendo vem da consultoria GlobalData: em 2024, o hidrogênio azul dominava com 76,3% da capacidade global de produção de hidrogênio de baixo carbono. Até 2030, essa fatia deve cair para apenas 11,3%, enquanto o hidrogênio verde deve passar de 14,9% para 88,6% da produção total. É uma inversão completa de dominância em menos de uma década.

As projeções da Deloitte apontam ainda que a produção de hidrogênio verde pode proporcionar, entre 2030 e 2050, até dois milhões de empregos por ano globalmente, sendo uma grande oportunidade para países em desenvolvimento.

A corrida global: quem são os concorrentes do Brasil?

O Brasil não está sozinho nessa disputa. Vários países já se movimentam de forma agressiva para se posicionar no mercado de hidrogênio verde, e a competição é acirrada.

A Alemanha é uma das líderes em adoção e desenvolvimento de tecnologia. O país já conta com 91 postos de abastecimento para veículos movidos a hidrogênio, consolidando-se como pioneiro na inovação do setor, e tem financiado projetos de hidrogênio verde em outros países para garantir o suprimento dessa fonte energética no futuro.

A Austrália também se destaca com condições geográficas favoráveis. O país pretende atingir a marca de 2 milhões de toneladas de hidrogênio verde até 2030 e já implementou um sistema de certificação para garantir que toda a cadeia produtiva tenha emissão zero de carbono.

A Arábia Saudita não ficou de fora. O país captou US$ 8,4 bilhões para desenvolver um projeto na cidade futurista de Neom, construída do zero para ser um modelo de economia sustentável.

A China, por sua vez, usa uma estratégia que já aplicou com êxito nas energias solar e eólica: construir escala interna para dominar a cadeia produtiva. Hoje o país é o maior fabricante de eletrolisadores do mundo, os equipamentos essenciais para produzir o hidrogênio verde.

E a América Latina? Projeções indicam que, até 2030, a região poderá atender entre 25% e 33% da demanda global de hidrogênio, colocando-a em concorrência direta com mercados como Austrália e África.

O custo: o maior desafio do hidrogênio verde

Para entender o cenário completo, é preciso falar de um obstáculo que ainda limita o avanço do hidrogênio verde: o preço. Segundo a Agência Internacional de Energia, um quilograma de hidrogênio cinza custa pouco mais de US$ 1, o que o torna competitivo com o gás natural. O hidrogênio azul tem custo médio de US$ 2,3 por quilograma. Já o hidrogênio verde custa entre US$ 3 e US$ 8 por quilograma, dependendo da fonte de energia utilizada e da localização.

Cálculos da Thymos Energia apontam que fabricar 1 kg de hidrogênio verde no Brasil custaria entre US$ 6 e US$ 8. Para substituir os combustíveis fósseis, ele precisaria ficar em torno de US$ 2. A boa notícia é que o preço vem caindo. Com o aumento de escala e a maturação das tecnologias de energia renovável e de eletrolisadores, as projeções são otimistas. A Agência Internacional de Energias Renováveis prevê que o crescimento da disponibilidade de energia renovável e o aumento da escala de produção tornarão o hidrogênio verde competitivo com o hidrogênio azul até 2030, com custos se aproximando dos do hidrogênio cinza na década seguinte.

E o Brasil ocupa uma posição de destaque nessa queda de preços. Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como um dos únicos países capazes de oferecer hidrogênio verde a um custo inferior a US$ 1 por quilograma até 2030. Em 2050, essa cifra pode cair para US$ 0,55 por quilograma. Isso colocaria o hidrogênio verde brasileiro entre os mais baratos do mundo, uma vantagem competitiva enorme.

O Brasil como potência energética: uma história que já começou

Para entender por que o Brasil tem tanto potencial nesse mercado, é preciso olhar para a trajetória brasileira com energias renováveis. O país não está aprendendo do zero. Há décadas o Brasil é referência mundial em energia limpa.

O programa de etanol, iniciado nos anos 1970, colocou o Brasil como pioneiro na produção de combustível renovável em escala. As hidrelétricas respondem por uma parcela histórica da matriz elétrica nacional. Mais recentemente, o Brasil viveu um boom de energia eólica e solar que transformou completamente a composição da energia produzida no país.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que mais de 87% da matriz elétrica brasileira já é composta por fontes renováveis, um índice muito superior à média mundial de cerca de 30%. Essa base renovável robusta é exatamente o que torna o hidrogênio verde brasileiro mais barato e mais limpo do que o produzido em países que ainda dependem de energia fóssil para alimentar os eletrolisadores.

Segundo a consultoria Roland Berger, o Brasil deverá ser protagonista no mercado de hidrogênio verde, podendo alcançar o valor anual de US$ 150 bilhões em 2050, principalmente devido à forte vocação para geração de energia renovável. O Brasil já tem mais de 100 projetos de hidrogênio e derivados anunciados, com investimentos que ultrapassam R$ 450 bilhões em perspectiva. Até 2050, projeta-se que o país tenha potencial para produzir entre 21 e 32 milhões de toneladas anualmente, podendo competir por 10% do mercado global.

Por que o Nordeste? A resposta está no vento, no sol e no mar

Quando se trata de hidrogênio verde no Brasil, o Nordeste não é apenas uma opção. É a escolha óbvia. A região reúne uma combinação de vantagens que poucos lugares no planeta conseguem imitar.

O primeiro fator é a abundância de energia renovável. Mais de 85% da produção eólica nacional está concentrada no Nordeste, que se tornou uma referência internacional para esse tipo de geração. O sol também brilha forte: cidades como Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, superam a média global de irradiação solar.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, entre 2015 e 2023, a matriz elétrica da região Nordeste tornou-se majoritariamente renovável na geração distribuída, com a participação dessas fontes subindo de 54% em 2015 para 95% em 2023.

O Rio Grande do Norte, estado onde está previsto o investimento de R$ 12 bilhões em Areia Branca, é um exemplo concreto desse potencial. A instalação de usinas de energia eólica e solar no estado atraiu mais de R$ 10 bilhões em 2024, com 45 novas usinas instaladas e 1,65 GW de potência adicionada no ano. A previsão de novos investimentos nos parques potiguares de energia eólica e solar soma R$ 55,3 bilhões até 2030.

O segundo fator é a localização geográfica estratégica. O Nordeste está mais próximo da Europa do que qualquer outra região do Brasil, o que reduz o custo e o tempo de transporte do hidrogênio verde exportado. Um dos exemplos mais emblemáticos é o corredor de exportação que conectará o Porto do Pecém, no Ceará, à Roterdã, na Holanda, que deverá consolidar a rota do hidrogênio verde brasileiro para o exterior.

O terceiro fator é a infraestrutura portuária. Portos como o Pecém, no Ceará, e o de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, já estruturam hubs energéticos voltados à exportação. A localização litorânea facilita tanto a logística quanto o acesso a água do mar, que pode ser usada no processo de eletrólise após tratamento. O Nordeste emerge como principal polo produtor, atraindo investimentos massivos para estados como Ceará e Rio Grande do Norte, onde projetos já somam US$ 90 bilhões em previsões.

O marco legal: o Brasil se preparando para competir

Para além das vantagens naturais, o Brasil também construiu um ambiente regulatório favorável à produção de hidrogênio verde. A aprovação da Lei n. 14.948/2024 criou o Marco Legal do Hidrogênio e o Regime Especial de Incentivos (Rehidro), que oferece isenções fiscais para equipamentos e projetos a partir de janeiro de 2025. A legislação estabeleceu também o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio (PHBC), com R$ 18 bilhões em recursos para pesquisa, infraestrutura e exportação.

O Brasil lançou ainda, em 2021, o Programa Nacional de Hidrogênio (PNH2), com o objetivo de promover o hidrogênio verde como fonte de energia sustentável, estabelecendo metas para a criação de plantas piloto de produção em várias regiões do país.

Esses marcos regulatórios são fundamentais porque dão previsibilidade ao mercado. Empresas estrangeiras e investidores precisam de segurança jurídica antes de comprometer bilhões de reais em infraestrutura. A sinalização do governo brasileiro de que há regras claras e incentivos fiscais é um passo importante para destravar esse fluxo de capital.

Como o hidrogênio verde é produzido: um guia didático

O processo de produção do hidrogênio verde, a eletrólise da água, pode parecer complexo, mas a lógica básica é simples. A água (H2O) é composta por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Quando uma corrente elétrica é aplicada à água, ela quebra essa molécula, separando o hidrogênio do oxigênio. O hidrogênio liberado é coletado, comprimido e armazenado para uso como combustível.

O equipamento que realiza esse processo se chama eletrolisador. Ele funciona de forma parecida com uma bateria, mas ao contrário: em vez de gerar eletricidade a partir de uma reação química, ele usa eletricidade para provocar uma reação química.

A quantidade de energia necessária é significativa. Estimativas apontam que são necessários 54 MWh para a produção de 1 tonelada de hidrogênio, e cerca de 9 litros de água para produzir 1 kg de H2. Por isso, para que o hidrogênio verde seja de fato limpo e economicamente viável, a energia elétrica usada precisa ser renovável e, de preferência, barata. É aqui que a vantagem do Nordeste brasileiro se torna concreta: vento constante, sol forte e custo de geração elétrica entre os mais baixos do mundo formam a combinação perfeita.

Uma curiosidade que ajuda a entender a densidade energética do hidrogênio: um quilograma de hidrogênio armazena energia equivalente a quase três litros de gasolina. Isso significa que, apesar do volume do gás ser grande, ele carrega muita energia por unidade de massa, o que o torna interessante para aplicações de alto consumo, como caminhões e navios.

Onde o hidrogênio verde pode ser usado?

A versatilidade é um dos pontos fortes do hidrogênio verde. Ele pode ser usado de formas muito distintas, dependendo do setor e da aplicação.

Na indústria pesada, o hidrogênio verde aparece como substituto do coque e do carvão na produção de aço. A siderurgia tradicional é responsável por uma parcela expressiva das emissões globais de carbono, e o uso do hidrogênio pode mudar essa equação de forma estrutural. Empresas como a H2 Green Steel, fundada na Suécia, já têm projetos para produzir aço utilizando hidrogênio verde em escala, com US$ 5 bilhões em investimentos.

No transporte pesado, o hidrogênio é convertido em eletricidade por meio de células a combustível, alimentando motores elétricos em caminhões, ônibus e locomotivas. A vantagem sobre as baterias convencionais é a autonomia: um caminhão a hidrogênio pode percorrer distâncias muito maiores com um abastecimento rápido, o que o torna mais adequado para o transporte de longa distância do que um caminhão totalmente elétrico com bateria.

Na aviação e no transporte marítimo, o hidrogênio pode ser usado na forma de amônia verde ou combustível sintético, permitindo que aviões e navios reduzam suas emissões. Até 2050, estima-se que o transporte marítimo necessitará de 50 milhões de toneladas de hidrogênio verde anualmente para o fornecimento de amônia e metanol como combustíveis.

Na geração de energia, o hidrogênio pode atuar como uma espécie de “bateria” em grande escala: quando há excesso de geração solar ou eólica, essa energia pode ser usada para produzir hidrogênio, que depois é armazenado e convertido em eletricidade quando a demanda aumentar. Isso resolve um dos maiores problemas das renováveis, que é a intermitência.

No Brasil, o setor automotivo também começa a se movimentar. A Universidade de São Paulo está recebendo o principal centro de teste de hidrogênio renovável do país, incluindo a primeira estação de abastecimento do combustível para veículos, com capacidade de produzir 4,5 quilos de hidrogênio por hora, o suficiente para abastecer três ônibus e um veículo leve por dia.

Os desafios que precisam ser enfrentados

Apesar de todo o potencial, seria desonesto falar do hidrogênio verde sem mencionar os obstáculos reais que ainda existem.

O custo de produção é o principal. Como já mencionado, o hidrogênio verde ainda custa entre três e oito vezes mais do que o hidrogênio cinza. Para que a transição aconteça em escala global, esse custo precisa cair de forma significativa. Isso depende de maior escala de produção, barateamento dos eletrolisadores e queda contínua no custo das energias renováveis.

A infraestrutura de transporte e armazenamento é outro gargalo. O hidrogênio é um gás extremamente leve e inflamável, o que exige equipamentos especiais para compressão, armazenamento e transporte. Construir essa cadeia logística do zero custa caro e leva tempo.

O consumo de água merece atenção. Embora o hidrogênio seja produzido a partir da água, a quantidade necessária em escala industrial é relevante. A IRENA estima que a produção de 409 milhões de toneladas de hidrogênio verde por ano consumirá entre 7 bilhões e 9 bilhões de metros cúbicos de água por ano, menos de 0,25% do consumo atual de água doce. O número parece pequeno, mas em um contexto de escassez hídrica crescente, especialmente no semiárido nordestino, o planejamento responsável é fundamental. Uma das soluções estudadas é o uso de água do mar dessalinizada para o processo de eletrólise, o que reduziria a pressão sobre os aquíferos da região.

A falta de compradores consolidados é outro ponto de atenção. Produzir hidrogênio verde em grande escala só faz sentido se houver demanda garantida. Hoje, a maior parte dos contratos ainda está em fase de negociação, e a construção de mercados consumidores, especialmente na Europa, é uma condição para que os projetos se viabilizem.

O sucesso dessa jornada exigirá mais do que legislações promissoras. Para garantir seu lugar no topo do mercado global de hidrogênio verde, o Brasil precisará superar desafios significativos em infraestrutura, financiamento e competitividade internacional.

O impacto no setor de combustíveis brasileiro

Uma pergunta natural é: como o hidrogênio verde afeta o mercado de combustíveis no Brasil, que já conta com uma cadeia consolidada de gasolina, diesel, etanol e biodiesel?

No curto prazo, o impacto direto nos postos de combustível é pequeno. O hidrogênio verde ainda está em fase de escalada industrial e os primeiros grandes volumes serão destinados à exportação e à indústria pesada, não ao consumidor final de veículos leves.

No médio e longo prazo, entretanto, a equação muda. Com o amadurecimento da tecnologia de células a combustível e a queda de custos, é possível que veículos movidos a hidrogênio comecem a ganhar espaço, especialmente em frotas de transporte pesado e público. A Petrobras já estuda como se posicionar nesse mercado, e grandes distribuidoras de combustíveis no Brasil acompanham de perto os movimentos regulatórios e tecnológicos.

O hidrogênio verde também se conecta com outros vetores da transição energética brasileira. O etanol, por exemplo, pode ser uma fonte para produção de hidrogênio renovável por reforma, uma rota alternativa que aproveita a infraestrutura já existente no Brasil. O biodiesel e o gás natural renovável formam um ecossistema de combustíveis de baixo carbono que, juntos, devem compor a matriz energética brasileira dos próximos 30 anos.

Para o Brasil, essa diversificação é uma vantagem. O país não precisa apostar em uma única fonte, mas pode desenvolver uma matriz de combustíveis limpos complementares, com o hidrogênio verde ocupando um espaço estratégico na ponta industrial e no transporte pesado.

Curiosidades sobre o hidrogênio verde

Para fechar com chave de ouro, alguns dados que ajudam a entender a dimensão do que está em jogo.

O hidrogênio é o elemento mais leve do universo, com densidade tão baixa que um balão cheio de hidrogênio sobe muito mais rápido do que um balão de hélio. Ao mesmo tempo, ele carrega uma densidade energética por unidade de massa superior à da gasolina.

Em 2023, a BloombergNEF apontou que até 2030 o Nordeste brasileiro tem potencial para produzir hidrogênio verde a US$ 1,47 por quilograma, um dos custos mais competitivos do mundo naquele momento.

O hidrogênio não é apenas combustível. Ele é também matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados, fundamentais para a agricultura. Hoje, esse hidrogênio é quase todo cinza. Substituí-lo pelo verde seria um avanço enorme para a cadeia do agronegócio brasileiro em termos de sustentabilidade.

O hidrogênio verde pode fornecer até 85 gigatoneladas em reduções nas emissões cumulativas de CO2 até 2050, mais que o dobro das emissões globais de CO2 em 2021. Para ter referência: isso é como apagar mais de dois anos das emissões de todo o planeta de uma vez.

O Brasil é o quinto país do mundo em potencial de energia eólica instalada, com cerca de 33,7 GW onshore no início de 2025, e o Nordeste concentra a maior parte dessa capacidade. Essa liderança renovável é o que torna a proposta do hidrogênio verde no Brasil não apenas ambiciosa, mas fisicamente fundamentada.

O que esperar dos próximos anos?

O cenário que se desenha para o Brasil no mercado de hidrogênio verde é de crescimento gradual, mas consistente. Os próximos cinco anos serão de projetos-piloto, construção de infraestrutura, celebração de contratos de exportação e desenvolvimento de regulamentação técnica. A partir de 2030, com a queda esperada nos custos de produção e a consolidação da demanda europeia, o volume de hidrogênio verde produzido no Brasil deve crescer de forma expressiva.

O investimento de R$ 12 bilhões em Areia Branca, no Rio Grande do Norte, é um passo concreto nessa direção. Ele sinaliza para o mercado global que o Brasil não é apenas um país com potencial teórico no hidrogênio verde: é um destino real para capital, tecnologia e projetos de larga escala. E com o Nordeste como ponto de partida, o Brasil tem todas as condições naturais, regulatórias e logísticas para transformar água, vento e sol em uma das maiores oportunidades econômicas do século 21.

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