Nova Gasolina E30 chega no Brasil: Tudo o que Você Precisa Saber

A gasolina E30, uma nova composição de combustível que aumenta o percentual de etanol anidro de 27% (E27) para 30%, está prestes a chegar aos postos de combustíveis brasileiros. Aprovada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2024, sob a Lei do Combustível do Futuro (14.993/24), essa mudança representa um marco na política energética do Brasil. A iniciativa visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, diminuir as emissões de carbono e promover uma matriz energética mais sustentável, aproveitando a abundante produção de etanol de cana-de-açúcar do país. Mas o que realmente muda com a E30? Como ela impacta os motoristas, os veículos e o meio ambiente? Este artigo explora em detalhes a nova gasolina, seus benefícios, desafios e implicações para diferentes tipos de veículos, com base em testes científicos, dados técnicos e análises do setor automotivo.

 

 

O que é a Gasolina E30?

A gasolina E30 é uma mistura de gasolina pura (derivado do petróleo) com 30% de etanol anidro, um biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar. O etanol anidro é um tipo de álcool sem água, diferente do etanol hidratado (E100) vendido diretamente nas bombas. Atualmente, a gasolina comum no Brasil, conhecida como E27, contém 27% de etanol anidro. A nova legislação permite que o percentual de etanol varie entre 22% e 35%, mas o governo optou por iniciar com 30% para equilibrar benefícios ambientais e viabilidade técnica. Essa mudança de 3 pontos percentuais pode parecer pequena, mas seus impactos são significativos tanto para o consumidor quanto para a indústria.

A transição para a E30 faz parte de um esforço maior para consolidar o Brasil como líder global em biocombustíveis. O país já é pioneiro no uso de etanol, com uma frota de veículos flex-fuel (capazes de rodar com gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois) que representa cerca de 90% dos carros leves em circulação. A E30 é um passo adiante na estratégia de descarbonização, alinhada com os compromissos do Brasil no Acordo de Paris para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

 

Como Funciona a Gasolina E30?

A gasolina E30 funciona de maneira semelhante à E27, sendo compatível com a maioria dos motores a combustão interna projetados para gasolina. O etanol anidro, por ser um combustível renovável, tem propriedades químicas distintas da gasolina pura. Ele possui maior octanagem (94 RON na E30 contra 93 RON na E27), o que melhora a resistência à detonação e pode proporcionar uma queima mais eficiente em motores modernos. No entanto, o etanol tem menor densidade energética (cerca de 70% do poder calorífico da gasolina), o que pode impactar a autonomia dos veículos. Os testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) entre janeiro e fevereiro de 2025, com patrocínio de produtores de etanol e supervisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), avaliaram a E30 em 16 carros e 13 motos fabricados entre 1994 e 2024. Os ensaios incluíram três misturas: E27 (atual), E30 (nova) e E32 (com 32% de etanol, para simular cenários extremos). As análises abrangeram:

 

  1. Partida a frio: Capacidade de o motor ligar em baixas temperaturas (10– 15°C).
  2. Estabilização em marcha lenta: Avaliação de oscilações no funcionamento do motor em repouso.
  3. Aceleração e retomada: Testes de desempenho em acelerações de 0 a 100 km/h e retomadas de velocidade (40–80 km/h, 60–100 km/h, 80–120 km/h).
  4. Emissões: Medição de gases poluentes, como monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e dióxido de carbono (CO2).
  5. Compatibilidade de materiais: Verificação de corrosão em componentes como bicos injetores, bombas de combustível e carburadores.

 

Os resultados indicaram que a E30 é segura para a maioria dos veículos testados, com diferenças mínimas em relação à E27. No entanto, alguns desafios foram observados, especialmente em veículos mais antigos e motos carburadas, que serão discutidos em detalhes adiante.

 

Motivação para a Mudança

A adoção da gasolina E30 é impulsionada por fatores econômicos, ambientais e estratégicos:

  1. Redução da dependência de importações: O Brasil importa cerca de 760 milhões de litros de gasolina anualmente. Com a E30, o MME estima uma redução nas importações, pois o etanol é produzido localmente. Isso fortalece a autossuficiência energética e reduz a exposição à volatilidade dos preços internacionais do petróleo. O ministro Alexandre Silveira destacou: “O preço da gasolina será determinado pela competitividade interna, e não pelo preço de paridade de importação”.
  2. Benefícios ambientais: O etanol de cana-de-açúcar é um biocombustível renovável que contribui para um ciclo de carbono mais neutro. Durante seu cultivo, a cana absorve CO2 da atmosfera, compensando parte das emissões geradas na queima do combustível. O MME estima que a E30 reduzirá as emissões em 1,7 milhão de toneladas de CO2 por ano, equivalente a retirar 720 mil veículos das ruas.
  3. Estímulo à economia agrícola: O aumento da demanda por etanol, estimada em 1,5 bilhão de litros anuais, movimentará R$ 9 bilhões em investimentos na produção de cana-de-açúcar, beneficiando o setor agrícola e gerando empregos no campo e na indústria.
  4. Alinhamento com a Lei do Combustível do Futuro: Sancionada em 2024, a lei estabelece metas para ampliar o uso de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel (B15, com 15% de biodiesel no diesel, também será implementado). A E30 é um passo rumo a percentuais ainda maiores, com possibilidade de chegar a 35% no futuro

 

Vantagens da Gasolina E30

A E30 oferece benefícios em várias frentes, desde o impacto ambiental até a economia para o consumidor. Aqui estão os principais pontos positivos:

1. Benefícios Ambientais

  • Ciclo de carbono mais neutro: O etanol de cana-de-açúcar captura CO2 durante o crescimento da planta, reduzindo o impacto líquido das emissões. Embora a queima da E30 não diminua diretamente as emissões de CO2 no escapamento, ela melhora o balanço de carbono em comparação com a gasolina pura.
  • Redução de poluentes: A queima do etanol produz, em média, 25% menos monóxido de carbono (CO) e 35% menos óxidos de nitrogênio (NOx), contribuindo para uma combustão mais limpa.
  • Sustentabilidade: O Brasil é o maior produtor mundial de etanol de cana, uma fonte renovável que reduz a dependência de combustíveis fósseis.

2. Economia para o Consumidor

  • Preço potencialmente mais baixo: Como o etanol é mais barato que a gasolina importada, o MME e o governo federal prometem uma redução de até R$ 0,20 por litro na bomba. Isso pode aliviar o bolso dos consumidores, especialmente em um contexto de alta nos preços dos combustíveis.
  • Autossuficiência energética: Com a E30, o Brasil pode se tornar autossuficiente na produção de gasolina e, em percentuais acima de 30%, até exportador, o que estabiliza os preços internos.

3. Compatibilidade com Veículos Modernos

  • Carros flex-fuel: Cerca de 90% da frota brasileira é composta por veículos flex, projetados para operar com misturas de etanol e gasolina (de E20 a E100). Esses veículos possuem sistemas eletrônicos que ajustam automaticamente a injeção e a ignição, minimizando impactos da E30.
  • Aumento de octanagem: A E30 tem uma octanagem de 94 RON, ligeiramente superior à E27 (93 RON), o que pode melhorar o desempenho em motores modernos com injeção eletrônica direta ou turbo.

 

4. Estímulo à Indústria

  • Cadeia produtiva do etanol: O aumento da demanda por etanol fortalece a indústria sucroalcooleira, gerando empregos e investimentos no setor agrícola. A estimativa é que a E30 demande R$ 9 bilhões em investimentos para expandir a produção de etanol.

 

Desvantagens da Gasolina E30

Apesar dos benefícios, a E30 também apresenta desafios, especialmente para veículos mais antigos e motos carburadas. Abaixo, exploramos os principais pontos negativos.

1. Aumento do Consumo de Combustível

  • Menor densidade energética: O etanol tem cerca de 70% do poder calorífico da gasolina, o que significa que a E30 pode reduzir a autonomia dos veículos. Testes do IMT indicaram um aumento médio no consumo de 1,1% a 1,8% em comparação com a E27. Por exemplo, um carro que faz 10 km/l com E27 pode cair para 9,8–9,9 km/l com E30.
  • Impacto em veículos a gasolina: Carros exclusivamente a gasolina, especialmente os carburados, podem ter um aumento de consumo de até 2,5% devido à queima menos eficiente da mistura.

 

2. Problemas em Veículos Antigos

  • Corrosão: O etanol anidro, mesmo com baixa umidade (máximo 0,4% de água), é mais corrosivo que a gasolina devido à sua polaridade. Isso pode acelerar a deterioração de componentes metálicos, como bombas de combustível, bicos injetores e carburadores, especialmente em veículos fabricados antes de 1993. Testes indicaram que a corrosão em ligas de alumínio e aço carbono pode aumentar em 20–30% com a E30.
  • Partida a frio: Veículos carburados, comuns em carros e motos fabricados antes de 2000, apresentaram dificuldades na partida a frio, com falhas em 30% dos casos testados com E30 e E32. Isso ocorre devido à menor volatilidade da mistura (pressão de vapor Reid de 55 kPa para E30 contra 60 kPa para E27).
  • Marcha lenta instável: Motos carburadas mostraram oscilações de 100– 200 RPM em 50% dos casos testados, o que pode afetar a dirigibilidade em baixas rotações.
  • Depósitos em carburadores: A E30 aumentou a formação de gomas em carburadores em 25%, exigindo limpezas mais frequentes (a cada 6–12 meses).

 

3. Impactos em Motos

  • Motos carburadas: Cerca de 20% das 30 milhões de motos em circulação no Brasil são carburadas, especialmente modelos de baixa cilindrada (125– 150 cc). Essas motos apresentaram dificuldades na partida a frio e instabilidade em baixa rotação com a E30. A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo) destacou “pontos de atenção” para esses veículos.
  • Custo de manutenção: A substituição de carburadores corroídos pode custar mais de R$ 1.100 em motos como a Honda Bros 150 2008, um problema agravado pela E30.

4. Veículos Importados

  • Incompatibilidade: Carros importados, projetados para misturas com menor teor de etanol (10% na Europa, 15% nos EUA), podem sofrer com vibrações, corrosão e falhas de funcionamento. Componentes como bicos injetores e bombas de combustível, fabricados para combustíveis com menos etanol, têm vida útil reduzida em até 15% com a E30.
  • Gasolina premium como alternativa: A gasolina premium (E25) é recomendada para veículos importados e carburados, mas seu custo é 40–50% maior (R$ 7,00–8,00/l contra R$ 5,00/l da comum), tornando-a inviável para muitos motoristas.

 

5. Incertezas Econômicas

  • Preço do etanol: Embora o governo prometa redução de preços, o mercado de etanol é volátil, e aumentos na demanda podem elevar os custos, neutralizando os benefícios esperados.
  • Custo de manutenção: A corrosão acelerada e a necessidade de limpezas frequentes em carburadores podem aumentar os gastos com manutenção, especialmente para proprietários de veículos antigos.

Impactos em Carros Novos e Modernos

 

Carros Flex-Fuel

Os carros flex-fuel, que dominam o mercado brasileiro, são os menos afetados pela E30. Fabricados desde 2003, esses veículos possuem sistemas eletrônicos avançados que ajustam automaticamente parâmetros como injeção de combustível e tempo de ignição. Marcas como Volkswagen, Fiat, Chevrolet e Toyota já projetam seus motores para operar com misturas de até E100 (etanol puro), o que torna a E30 plenamente compatível.

  • Exemplo: Volkswagen T-Cross 2024: Equipado com motor 1.0 TSI flex, o T- Cross apresentou desempenho praticamente inalterado nos testes do IMT. A aceleração de 0 a 100 km/h variou apenas 0,23 segundos, e o consumo aumentou 1,1% (de 12 km/l para 11,9 km/l na cidade com E30). A octanagem ligeiramente maior da E30 (94 RON) pode até melhorar a resposta em regimes de alta rotação.
  • Exemplo: Fiat Strada 2024: O motor 1.3 flex da Strada mostrou estabilidade em marcha lenta e partidas a frio, com aumento de consumo de 1,5% (de 10,5 km/l para 10,3 km/l na estrada). Os ajustes eletrônicos garantiram dirigibilidade inalterada.

 

Carros Híbridos

Os veículos híbridos, como o Toyota Corolla Cross Hybrid, também foram testados e mostraram compatibilidade com a E30. Esses modelos combinam motores a combustão flex com motores elétricos, o que reduz o impacto do aumento de consumo. Nos testes, o Corolla Cross Hybrid manteve o consumo em 14 km/l, com variação insignificante de 0,1 km/l.

 

Motores Turbo

Motores turbo modernos, como o 1.5 TSI da Volkswagen e o 1.3 Turbo da Fiat, se beneficiam da maior octanagem da E30, que reduz o risco de detonação em altas pressões. No entanto, o aumento de consumo (1,1–1,5%) ainda é perceptível, especialmente em condições de alta demanda, como subidas ou ultrapassagens.

 

Impactos em Carros Antigos

 

Veículos Carburados (Pré-1993)

Carros fabricados antes de 1993, como o Volkswagen Gol GTI 1989 ou o Ford Escort XR3 1994, utilizam carburadores e não foram projetados para misturas com alto teor de etanol. Esses veículos enfrentam os seguintes problemas com a E30:

  • Corrosão: O etanol acelera a deterioração de carburadores, tanques de combustível e linhas de alimentação. Um carburador de um Gol 1.0 1992, por exemplo, pode exigir limpeza a cada 6 meses, com custos de R$ 200– 400 por manutenção.
    Partida a frio: A menor volatilidade da E30 dificulta a partida em temperaturas abaixo de 15°C, exigindo ajustes manuais no afogador ou conversão para sistemas de injeção eletrônica, que custam a partir de R$ 2.000.
  • Desempenho: Testes do IMT mostraram que carros carburados, como um Fiat Marea 1999, apresentaram retomadas de 80 a 120 km/h até 2,24 segundos mais lentas com a E30, devido à queima menos eficiente.

 

Veículos com Injeção Eletrônica (1994–2003)

Carros com injeção eletrônica monoponto ou multiponto, como o Chevrolet Corsa 1996 ou o Fiat Palio 2000, são mais tolerantes à E30, mas ainda enfrentam desafios:

  • Corrosão em componentes: Bicos injetores e bombas de combustível podem ter sua vida útil reduzida em 15% (de 10 para 8,5 anos), com custos de substituição entre R$ 500 e R$ 1.500.
  • Ajustes limitados: Esses veículos não possuem a mesma capacidade de adaptação que os flex-fuel modernos, o que pode levar a falhas intermitentes em marcha lenta e aceleração.

 

Quando a E30 Chegará aos Postos?

A gasolina E30 começará a ser distribuída nos postos de combustíveis a partir de 1º de agosto de 2025, conforme anunciado pelo governo federal. No entanto, a transição não será imediata. As distribuidoras terão um prazo para esgotar os estoques de E27, o que significa que, em algumas regiões, a E30 pode demorar semanas ou meses para estar amplamente disponível. A ANP supervisionará a qualidade do combustível, garantindo que atenda às especificações técnicas.

 

Cuidados para Motoristas

Para minimizar os impactos da E30, os motoristas devem adotar algumas práticas:

 

1. Veículos modernos (flex-fuel):

  • Abasteça em postos de confiança para evitar combustíveis adulterados.
  • Monitore o consumo nos primeiros abastecimentos para ajustar o orçamento.
  • Considere o uso de aditivos antioxidantes para proteger o sistema de combustível.

 

2. Veículos antigos (carburados):

  • Prefira gasolina premium (E25), se disponível, apesar do custo mais alto.
  • Realize manutenções preventivas frequentes, como limpeza de carburadores e substituição de filtros.
  • Considere converter o sistema para injeção eletrônica, embora o investimento seja elevado.

 

3. Motos carburadas:

  • Verifique a partida a frio e a estabilidade em marcha lenta nos primeiros abastecimentos.
  • Consulte um mecânico especializado para ajustes no carburador, se necessário.

 

Comparações com Outros Países

O Brasil é um pioneiro no uso de etanol em larga escala. Comparado a outros países, o percentual de 30% na E30 é significativamente mais alto:

  • Estados Unidos: A gasolina E10 (10% de etanol) é o padrão, com E15 disponível em alguns estados. Veículos não-flex enfrentam restrições com misturas acima de 10%.
  • Europa: A gasolina E5 (5% de etanol) é comum, com E10 adotado em alguns países. Carros europeus, projetados para baixo teor de etanol, podem sofrer com a E30 brasileira.
  • Índia: Recentemente, a Índia implementou a E20 (20% de etanol), mas enfrenta desafios com veículos mais antigos, semelhantes aos do Brasil.

A experiência brasileira com a E30 pode servir de modelo para outros países que buscam aumentar o uso de biocombustíveis, mas também destaca a importância de adaptar a frota circulante.

 

Curiosidades sobre a E30

  1. Histórico do etanol no Brasil: O Brasil começou a adicionar etanol à gasolina na década de 1930, mas o programa Proálcool, lançado em 1975, consolidou o uso de biocombustíveis. A E30 é a maior mistura desde a E27, implementada em 2014.
  2. Tanquinho de partida a frio: Carros flex brasileiros usavam um reservatório auxiliar de gasolina para partidas a frio, uma solução eliminada em modelos modernos devido a avanços na injeção eletrônica.
  3. Impacto na octanagem: A E30 tem octanagem semelhante à gasolina premium de outros países, o que pode beneficiar motores de alta performance, mas exige ajustes em veículos não-flex.
  4. Produção de cana: O Brasil produz cerca de 600 bilhões de litros de etanol por ano, suficiente para atender à demanda da E30 e exportar excedentes.

 

Dados Científicos e Testes

Os testes do IMT forneceram uma base robusta para a aprovação da E30. Aqui estão alguns dados detalhados:

  • Consumo: O aumento médio no consumo foi de 1,5% em carros flex e 1,8% em carros a gasolina. Em motos, a diferença variou de 1,1% a 1,8%, com uma moto de 150 cc passando de 25 km/l para 24,6 km/l.
  • Emissões: Não houve redução significativa nas emissões de CO2 no escapamento, mas o ciclo de carbono foi considerado mais neutro devido à absorção de CO2 pela cana-de-açúcar.
  • Desempenho: Em retomadas de 80 a 120 km/h, carros carburados apresentaram variações de -1,38 a +2,24 segundos, enquanto carros flex mantiveram tempos consistentes.
  • Corrosão: Testes de laboratório indicaram que a E30 aumenta a corrosão em bicos injetores em 20–30% em relação à E27, com maior impacto em veículos com mais de 10 anos.

 

Exemplificações em Modelos de Carros

Para ilustrar os impactos da E30, consideremos três cenários reais:

1. Volkswagen Gol 1.0 1992 (carburado):

  • Problema: Partida a frio difícil em temperaturas abaixo de 15°C, com necessidade de ajustes no carburador.
  • Consumo: Aumentou de 9 km/l para 8,8 km/l na cidade.
  • Manutenção: Limpeza do carburador a cada 6 meses (R$ 300 por serviço).
  • Solução: Uso de gasolina premium ou conversão para injeção eletrônica (R$ 2.500).

2. Fiat Argo 1.3 Flex 2024:

  • Problema: Nenhum significativo; o sistema flex ajusta automaticamente a queima.
  • Consumo: Caiu de 10,5 km/l para 10,3 km/l na estrada.
  • Manutenção: Filtros de combustível substituídos a cada 15.000 km (R$ 150).
  • Solução: Abastecimento em postos confiáveis e monitoramento do consumo.

3. BMW 320i 2020 (importado):

  • Problema: Corrosão acelerada em bicos injetores, com vida útil reduzida de 10 para 8,5 anos.
  • Consumo: Aumentou de 11 km/l para 10,8 km/l na cidade.
  • Manutenção: Substituição de bicos injetores (R$ 2.000–3.000).
  • Solução: Uso exclusivo de gasolina premium (E25), com custo de R$ 7,50/l.

 

Críticas e Controvérsias

A introdução da E30 não é isenta de críticas. Alguns especialistas questionam a transparência dos testes do IMT, que não compararam a E30 com a gasolina E22 (padrão de homologação de muitos veículos) ou com gasolina pura. A falta de envolvimento direto dos fabricantes de veículos nos ensaios também foi apontada como uma limitação, pois seus laboratórios poderiam fornecer dados mais detalhados.

Além disso, proprietários de veículos carburados e importados expressaram frustração nas redes sociais, argumentando que a E30 beneficia principalmente os produtores de etanol, enquanto aumenta os custos de manutenção para motoristas de baixa renda. Um usuário de uma Harley-Davidson 883 2005, por exemplo, destacou a dificuldade de encontrar gasolina premium em cidades menores, o que pode limitar suas opções de abastecimento.

 

Alternativas à E30

Alguns especialistas sugerem alternativas à E30 que poderiam equilibrar benefícios ambientais e viabilidade técnica:

  1. Etanol puro (E100): Incentivar o uso de etanol hidratado em carros flex, com redução de impostos, poderia aumentar a demanda por biocombustíveis sem comprometer veículos não-flex. O etanol puro reduz emissões em 50% em comparação com a E30.
  2. Gasolina E25 premium: Manter uma opção de gasolina com menor teor de etanol para motos e carros importados seria mais inclusivo, especialmente para proprietários de baixa renda.
  3. Investimento em eletrificação: Os R$ 9 bilhões previstos para a E30 poderiam ser direcionados à infraestrutura de veículos elétricos ou híbridos, com maior impacto ambiental a longo prazo.

 

Conclusão

A gasolina E30 representa um avanço na transição energética do Brasil, alinhando o país às metas globais de sustentabilidade. Com benefícios como a redução de emissões, menor dependência de importações e estímulo à economia agrícola, a nova mistura tem o potencial de transformar o mercado de combustíveis. No entanto, os desafios para veículos antigos, motos carburadas e carros importados não podem ser ignorados. A corrosão acelerada, o aumento do consumo e as dificuldades de partida a frio exigem atenção redobrada dos motoristas, especialmente aqueles com veículos fabricados antes de 2000.

Para os proprietários de carros flex modernos, a E30 é uma mudança praticamente imperceptível, com ajustes automáticos que garantem desempenho e dirigibilidade. Já para donos de veículos carburados ou importados, a gasolina premium ou manutenções frequentes serão essenciais. A chegada da E30 às bombas, prevista para agosto de 2025, marcará uma nova fase na história dos biocombustíveis brasileiros, mas sua implementação bem- sucedida dependerá de transparência, suporte técnico e adaptação da frota circulante.

Se você é motorista, prepare-se para a E30 monitorando o desempenho do seu veículo e escolhendo postos confiáveis. A nova gasolina é um passo rumo a um futuro mais sustentável, mas, como toda mudança, exige adaptação e cuidado. O que você acha da E30? Deixe sua opinião e compartilhe suas experiências nos comentários!

 

Fontes:
Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)
Ministério de Minas e Energia (MME)
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo)
Lei do Combustível do Futuro (14.993/24)
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