PEC Quer Limitar IPVA a 1%: Quanto Você Economiza e Quem Paga a Conta

Da origem histórica à proposta do deputado Kim Kataguiri: um guia completo, com dados, simulações e comparações, para entender de uma vez por todas como esse imposto funciona e o que pode mudar.

Todo começo de ano é igual: as contas de dezembro ainda pesam no bolso, as crianças voltam às aulas, e chega aquele temido boleto azul na caixa de entrada do e-mail. O IPVA — Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores — é um dos tributos mais conhecidos e mais discutidos do Brasil. Mas poucos sabem exatamente como ele funciona, para onde vai o dinheiro, por que os valores variam tanto de estado para estado e, principalmente, o que muda se a proposta que tramita no Congresso for aprovada.

Em fevereiro de 2026, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) protocolou uma PEC — Proposta de Emenda à Constituição — que pretende limitar o IPVA a 1% do valor do veículo em todo o Brasil. A medida teria impacto direto na vida de mais de 100 milhões de proprietários de veículos no país. Mas o que ela representa, na prática? Quem ganha, quem perde e quais são as chances reais de aprovação?

Neste especial, a gente explica tudo — do início ao fim, com números reais, exemplos práticos e linguagem clara. Prepare seu café.

1. O que é o IPVA e como ele surgiu?

O IPVA é um imposto estadual cobrado anualmente de proprietários de veículos automotores — carros, motos, caminhões, ônibus e afins. Ele incide sobre o valor de mercado do veículo e é calculado aplicando-se uma alíquota percentual definida por cada estado.

Mas o imposto nem sempre existiu da forma como conhecemos hoje. Antes do IPVA, os brasileiros pagavam a chamada Taxa Rodoviária Única (TRU), instituída pelo governo federal em 1969. A TRU era um tributo federal, com valores tabelados pelo governo central, e os recursos eram destinados exclusivamente à manutenção de estradas e infraestrutura viária.

Em 1985, com a Emenda Constitucional n.º 27, a TRU foi extinta e substituída pelo IPVA. A mudança não foi apenas de nome: ela representou uma descentralização fiscal importante. O novo imposto passou a ser de competência estadual, o que significa que cada estado da Federação ganhou autonomia para definir suas próprias alíquotas, isenções e regras de cobrança. Com a Constituição de 1988, essa lógica foi mantida e aprofundada.

Curiosidade histórica: antes de 1985, um motorista no Amazonas e outro em São Paulo pagavam exatamente o mesmo imposto pelo mesmo modelo de carro. Após o IPVA, isso mudou completamente — e criou uma das maiores desigualdades tributárias entre os estados brasileiros.

Desde então, o IPVA cresceu tanto em arrecadação quanto em relevância para os cofres estaduais. Hoje, ele é o segundo imposto estadual mais importante do Brasil, ficando atrás apenas do ICMS — o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

2. Como o IPVA funciona hoje?

O funcionamento do IPVA é simples na teoria. O cálculo usa duas variáveis principais:

Valor venal do veículo: é o valor de mercado do carro, calculado com base na Tabela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Para veículos zero quilômetro, usa-se o valor da nota fiscal.

Alíquota estadual: o percentual definido pelo governo de cada estado, que varia conforme o tipo de veículo e, em alguns estados, pelo próprio valor do carro.

A fórmula é direta: IPVA = Valor Venal × Alíquota. Um carro avaliado em R$ 60.000 em São Paulo, onde a alíquota para automóveis é de 4%, pagará R$ 2.400 de IPVA. O mesmo carro emplacado em Santa Catarina, com alíquota de 2%, pagará R$ 1.200. Diferença de R$ 1.200 só por causa do estado de emplacamento.

Quem paga o IPVA?

O imposto é devido pelo proprietário do veículo registrado no DETRAN do estado. Não importa se o carro está parado na garagem, se foi roubado (desde que não haja boletim de ocorrência anterior ao fato gerador) ou se raramente é usado. O simples fato de constar o nome do titular no documento é suficiente para a obrigação tributária nascer.

Quando se paga?

Cada estado define seu próprio calendário, geralmente distribuído entre janeiro e maio, com variação conforme o número final da placa. A maioria dos estados oferece desconto de 3% para pagamento à vista e permite parcelamento em até 5 vezes. Alguns convênios com fintechs permitem parcelar em até 12 vezes, mas com acréscimo de juros.

Quem é isento?

As isenções variam de estado para estado, mas há categorias comuns em todo o Brasil: veículos com 20 anos ou mais de fabricação (regra nacional após a PEC 72/2023, promulgada em dezembro de 2025), pessoas com deficiência (PCD) para um veículo adaptado, táxis regularmente registrados, veículos de entidades religiosas e filantrópicas, veículos oficiais do governo e, em alguns estados, elétricos e híbridos com isenção total ou alíquota reduzida.

Dado importante: no estado de São Paulo, cerca de 10 milhões de veículos já estão isentos de IPVA por terem mais de 20 anos de fabricação. É uma fatia enorme da frota paulista — e um bom indicativo do quanto a frota brasileira envelheceu ao longo das décadas.

3. Quanto cada estado cobra — o comparativo completo

Uma das particularidades mais marcantes do IPVA brasileiro é a enorme variação entre os estados. Isso gera distorções curiosas: é possível economizar centenas de reais por ano simplesmente por morar do lado de uma fronteira estadual — ou, em casos mais extremos, levando motoristas a emplacar veículos em estados com alíquotas mais baixas sem nem residir lá.

Confira as alíquotas para carros de passeio em vigor em 2026:

Estado Alíquota (carro de passeio) Alíquota (moto)
São Paulo (SP) 4% 2%
Rio de Janeiro (RJ) 4% 2%
Minas Gerais (MG) 4% 2%
Distrito Federal (DF) 3,5% 2%
Bahia (BA) 3,5% 2%
Goiás (GO) 3,75% 2%
Pernambuco (PE) 3,5% 2%
Ceará (CE) 3,5% 2%
Rio Grande do Sul (RS) 3% 2%
Rio Grande do Norte (RN) 3% 2%
Roraima (RR) 3% 2%
Amapá (AP) 3% 1,5%
Mato Grosso (MT) 3% 2%
Mato Grosso do Sul (MS) 3% 2%
Rondônia (RO) 3% 2%
Pará (PA) 3% 2%
Maranhão (MA) 3% 2%
Alagoas (AL) 3% 2%
Sergipe (SE) 2,5% a 3% 2%
Piauí (PI) 2,5% a 3% 2%
Amazonas (AM) 2% (red. 50% em 2026) 1,5%
Paraíba (PB) 2% 1%
Tocantins (TO) 2% 2%
Acre (AC) 2% 1%
Espírito Santo (ES) 2% 1%
Santa Catarina (SC) 2% 1%
Paraná (PR) 1,9% 1,9%

O estado que cobra menos é o Paraná, que em 2026 anunciou uma nova alíquota de 1,9% — a menor do Brasil, superando os 2% praticados por Santa Catarina, Espírito Santo, Acre e Tocantins. O Paraná praticava 3,5% desde 2014, e a redução representa um corte de 45%.

No outro extremo, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais operam com 4% — o teto máximo aplicado no país.

Por que os estados têm essa autonomia toda? Porque o IPVA é um tributo de competência estadual, previsto no artigo 155 da Constituição Federal. O texto constitucional não estabelece uma alíquota mínima nem máxima nacional — embora o Senado Federal pudesse fixar alíquotas mínimas, nunca exerceu essa competência. O resultado é que cada estado age como quiser dentro de sua política fiscal.

4. Para onde vai o dinheiro do IPVA?

Essa é uma dúvida clássica entre os motoristas: afinal, o IPVA serve para consertar as estradas? A resposta curta é: não necessariamente.

O IPVA não tem destinação vinculada. Ao contrário do que muitos imaginam, o dinheiro arrecadado não precisa ser usado em infraestrutura viária. Ele entra no caixa geral do estado e pode ser direcionado à saúde, educação, segurança pública ou qualquer outra política pública — o que explica por que as ruas continuam cheias de buracos mesmo depois do boleto pago.

A divisão constitucional

O que a Constituição Federal determina é a divisão do bolo arrecadado: 50% fica com o estado, 50% vai para o município onde o veículo está emplacado. Desse total, 20% é obrigatoriamente destinado ao FUNDEB — Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.

Essa divisão faz do IPVA uma fonte importante de receita tanto para os governos estaduais quanto para as prefeituras. No Rio de Janeiro, por exemplo, a Secretaria da Fazenda informa que os R$ 3,5 bilhões arrecadados em 2024 foram fundamentais para que os 92 municípios fluminenses cumprissem os índices constitucionais de investimento em saúde e educação.

Quanto o Brasil arrecada?

Em 2024, a arrecadação total de IPVA no Brasil foi de R$ 86,63 bilhões. O IPVA é o segundo tributo estadual mais relevante em arrecadação, ficando atrás apenas do ICMS. Esse valor representa um crescimento de 6,93% em relação a 2023, quando a arrecadação foi de R$ 81,02 bilhões.

São Paulo lidera tanto em volume arrecadado (aproximadamente R$ 29,7 bilhões) quanto em número de veículos registrados. A média nacional de arrecadação ficou em R$ 407,52 de IPVA por habitante.

Perspectiva: com R$ 86,63 bilhões, o Brasil poderia construir mais de 8.600 escolas de alto padrão, ou custear a merenda escolar de toda a rede pública de ensino por vários anos. É um volume enorme de dinheiro — e uma das principais razões pelas quais qualquer proposta de redução do IPVA gera tanto debate nos estados.

5. Quanto o brasileiro paga de IPVA ao longo da vida?

O argumento central do deputado Kim Kataguiri para justificar sua PEC é que o IPVA atual representa uma espécie de “estatização lenta” do veículo. Vamos fazer as contas para entender se isso faz sentido.

Imagine que você compra um carro zero, popular, por R$ 80.000 em São Paulo. A alíquota paulista para automóveis é de 4%. No primeiro ano, você paga R$ 3.200 de IPVA. Como os carros se desvalorizam com o tempo, o IPVA também cai progressivamente. Usando uma desvalorização média estimada de 10% ao ano sobre o valor do veículo, a simulação ficaria assim:

Ano Valor estimado do carro IPVA a 4% IPVA acumulado
1 R$ 80.000 R$ 3.200 R$ 3.200
2 R$ 72.000 R$ 2.880 R$ 6.080
3 R$ 64.800 R$ 2.592 R$ 8.672
5 R$ 52.488 R$ 2.100 R$ 13.105
8 R$ 38.264 R$ 1.531 R$ 19.897
10 R$ 30.973 R$ 1.239 R$ 23.536
15 R$ 18.232 R$ 729 R$ 30.743
20 R$ 10.737 ISENTO* ~R$ 35.500

Com a PEC 72/2023, veículos com 20 anos ou mais estão isentos em todo o Brasil.

O resultado? Ao longo de 20 anos, o proprietário de um carro de R$ 80 mil em SP teria pago aproximadamente R$ 35.500 em IPVA — quase 44% do valor original do carro. Considerando que o carro foi se desvalorizando nesse período, a proporção do imposto em relação ao valor residual do bem fica ainda mais expressiva.

Com a PEC de Kataguiri, aplicando alíquota de 1%, o mesmo carro de R$ 80 mil pagaria R$ 800 no primeiro ano. O total acumulado em 20 anos ficaria por volta de R$ 8.800 — uma economia de quase R$ 27.000 em comparação com a situação atual.

O argumento do deputado: “Cobrar 4% ao ano de um bem que se desvaloriza é o equivalente a estatizar o carro do cidadão em 25 anos”. Matematicamente, a lógica é que após 25 anos de cobrança a 4% ao ano, o estado teria arrecadado um valor equivalente ao preço original do veículo — mesmo que o carro já valha uma fração disso.

6. A PEC de Kataguiri: o que muda na prática?

O deputado Kim Kataguiri protocolou em 24 de fevereiro de 2026 a Proposta de Emenda à Constituição que pretende alterar o artigo 155 da Constituição Federal, que trata do IPVA. A proposta tem três pilares principais.

Teto de 1%: a alíquota máxima do IPVA em qualquer estado passaria a ser de 1% sobre o valor do veículo. Hoje não existe teto nacional — estados podem cobrar quanto quiserem.

Nova base de cálculo: além do valor de mercado, a proposta incorpora critérios técnicos como peso do veículo e impacto ambiental. Isso abriria espaço para tributar de forma diferente carros populares e utilitários pesados.

Incentivo ambiental: os estados poderiam conceder descontos adicionais para veículos menos poluentes, elétricos ou híbridos, estimulando a renovação da frota.

O impacto prático para o motorista

A diferença é significativa. Veja o exemplo de um carro de R$ 60.000 em São Paulo:

Cenário Alíquota IPVA anual
Hoje (SP) 4% R$ 2.400
Com a PEC 1% R$ 600
Economia R$ 1.800/ano

Em 10 anos, esse proprietário economizaria R$ 18.000 em termos nominais — sem nem considerar a desvalorização do carro. É dinheiro que voltaria ao bolso do consumidor, mas que deixaria de ir para os cofres do estado e dos municípios.

Para um proprietário de um veículo de alto padrão, avaliado em R$ 300.000, a economia seria ainda maior: de R$ 12.000 por ano (hoje) para R$ 3.000 (com a PEC) — uma redução de R$ 9.000 anuais.

7. O impacto nos cofres públicos: R$ 38 bilhões de perda

A proposta é atraente para o motorista, mas o custo fiscal é enorme. A estimativa do próprio deputado Kataguiri é de uma perda de R$ 38 bilhões em arrecadação anual — quase metade de tudo que o Brasil arrecadou com o IPVA em 2024.

Para contextualizar a magnitude desse número, R$ 38 bilhões é o equivalente a mais de 3 vezes o orçamento anual do programa Farmácia Popular, o suficiente para construir cerca de 3.800 escolas de educação básica com infraestrutura completa, quase o dobro do orçamento federal de segurança pública e metade do que o governo federal investe em saúde básica por ano.

Para os estados e municípios, a perda seria imediata e direta. Lembrando que 50% do IPVA vai para as prefeituras: uma redução de R$ 38 bilhões significaria até R$ 19 bilhões a menos nas contas das cidades brasileiras — um golpe especialmente duro para municípios pequenos, que dependem muito dessa receita para fechar o orçamento.

São Paulo, que arrecada cerca de R$ 30 bilhões por ano com o IPVA, perderia proporcionalmente uma fatia enorme. Considerando que a maior parte da frota paulista são carros com alíquota de 4%, a queda para 1% significaria uma redução de até 75% na arrecadação do imposto no estado.

8. Como a perda seria compensada? As 5 medidas de Kataguiri

Ciente do impacto fiscal da proposta, o deputado incluiu um conjunto de medidas compensatórias. Veja cada uma delas — e uma análise honesta da viabilidade política.

1. Corte de 50% nas emendas parlamentares — R$ 30,5 bilhões

As emendas parlamentares são uma das maiores fontes de poder dos deputados e senadores — e também um dos maiores alvos de crítica. Cortar 50% delas economizaria R$ 30,5 bilhões. A lógica é clara, mas a viabilidade política é baixíssima: são exatamente os parlamentares que precisariam votar a favor do corte dos próprios recursos. Historicamente, propostas de redução de emendas enfrentam resistência feroz no Congresso.

2. Revisão de incentivos fiscais da Sudam e Sudene — R$ 22,51 bilhões

A Sudam e a Sudene concedem benefícios fiscais a empresas que investem no Norte e Nordeste do Brasil. Rever esses incentivos geraria R$ 22,51 bilhões — mas a medida é politicamente sensível porque afeta diretamente as regiões que mais dependem do desenvolvimento gerado por esses incentivos. Governadores do Norte e Nordeste tenderão a se opor com força.

3. Fim do crédito presumido de IPI para montadoras — R$ 7,77 bilhões

Montadoras de automóveis recebem um crédito de IPI que reduz sua carga tributária. Acabar com esse benefício é tecnicamente defensável e geraria R$ 7,77 bilhões, mas criaria forte pressão da indústria automobilística, que tem grande peso político e econômico no Brasil.

4. Limite para gastos com publicidade pública — R$ 6,5 bilhões

O governo federal e os estados gastam bilhões com publicidade institucional. Fixar um teto geraria R$ 6,5 bilhões de economia. Esta é uma das medidas mais consensuais do pacote — mas o valor gerado ainda é modesto frente ao total da compensação necessária.

5. Combate aos supersalários no setor público — R$ 5 bilhões

Servidores públicos que recebem acima do teto constitucional por meio de acumulação de cargos ou brechas legais custam bilhões por ano. Corrigir isso pouparia R$ 5 bilhões. É uma pauta com forte apelo popular, mas que enfrenta resistência jurídica e das corporações do funcionalismo.

Somadas, as medidas compensatórias chegam a R$ 72 bilhões — mais que o dobro do necessário. O problema é que cada uma delas tem obstáculos políticos significativos, e a probabilidade de aprovar todas ao mesmo tempo é baixa. No Congresso brasileiro, dificilmente se aprova um pacote de medidas impopulares em troca de uma popular.

9. Quem ganha e quem perde com a PEC?

Os ganhadores

O benefício mais óbvio é para os proprietários de veículos, especialmente em estados com alíquotas mais altas. Quanto mais caro o carro, maior a economia absoluta:

Perfil do proprietário IPVA atual (SP, 4%) Com a PEC (1%) Economia anual
Carro popular — R$ 40 mil R$ 1.600 R$ 400 R$ 1.200
Carro médio — R$ 80 mil R$ 3.200 R$ 800 R$ 2.400
Carro premium — R$ 200 mil R$ 8.000 R$ 2.000 R$ 6.000
SUV de luxo — R$ 400 mil R$ 16.000 R$ 4.000 R$ 12.000

Os perdedores

Do outro lado da equação estão os estados e, especialmente, os municípios. Uma redução de R$ 38 bilhões na arrecadação tem impacto direto em pagamento de servidores públicos, financiamento de escolas e hospitais, obras de infraestrutura urbana e programas sociais financiados pelos estados.

Municípios pequenos, do interior do Brasil, são os mais vulneráveis. Em muitos deles, o repasse do IPVA representa uma fatia relevante da receita municipal. A perda seria sentida especialmente em cidades com frotas grandes e poucas outras fontes de receita.

Ironia fiscal: os estados que mais perderiam com a PEC são exatamente os que cobram mais IPVA — São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. São Paulo, que arrecada cerca de R$ 30 bilhões por ano, sofreria a maior queda absoluta em termos de receita.

10. O Brasil tem IPVA caro comparado ao mundo?

Para responder a essa pergunta, é preciso comparar não apenas as alíquotas, mas como cada país estrutura a tributação de veículos — porque a maioria das nações não usa exatamente o mesmo modelo brasileiro.

País Modelo de tributação Carga estimada
Brasil IPVA anual sobre valor venal (1,9% a 4%) Alta — entre as maiores do mundo
Estados Unidos Property tax local (varia por estado/município) Moderada — 0,5% a 2% em média
Alemanha Baseado em emissões de CO₂ e tipo de motor Baixa a moderada — critério ambiental
França Foco em frotas corporativas Moderada — pessoa física tem carga baixa
Argentina Patente provincial Alta — comparável ao Brasil
Japão Anual, por cilindrada Moderada — lógica diferente
Portugal IUC — baseado em CO₂ e data de registro Baixa — incentivo ambiental
México Tenencia federal extinta em 2012 Muito baixa — a federal foi abolida

A principal diferença do modelo brasileiro em relação a outros países é que o IPVA incide sobre o valor de mercado do veículo sem distinção pela categoria ambiental. Em países como Alemanha, Portugal e França, a tributação é calculada progressivamente com base nas emissões de CO₂, incentivando a adoção de veículos menos poluentes. No Brasil, um carro a gasolina de R$ 100 mil paga o mesmo percentual que um elétrico do mesmo valor — embora alguns estados já estejam corrigindo isso por conta própria.

O México tomou uma decisão radical em 2012 ao extinguir a Tenencia Federal para carros particulares. A medida gerou queda nas receitas estaduais, mas foi amplamente aplaudida pela população e é frequentemente citada por quem defende a extinção do imposto no Brasil.

Conclusão do comparativo: sim, o IPVA brasileiro é elevado em comparação com a maioria dos países desenvolvidos. A grande diferença é que no Brasil a alíquota é alta e não há critério ambiental na base de cálculo — dois pontos que a PEC de Kataguiri, ao menos em parte, tenta endereçar.

11. O debate: o IPVA é justo? Progressivo ou regressivo?

Aqui mora um dos debates tributários mais interessantes do Brasil. O IPVA cobra o mesmo percentual de todos os proprietários de veículos do mesmo tipo — seja ele rico ou pobre. Isso levanta questões importantes.

O argumento de quem acha justo: quem tem carro mais caro paga mais em termos absolutos. Um proprietário de um Porsche de R$ 500 mil em SP paga R$ 20 mil de IPVA por ano. Um dono de um carro popular de R$ 50 mil paga R$ 2 mil. Já há uma progressividade implícita, proporcional à riqueza representada pelo veículo. Além disso, ter um carro é uma escolha — e quem pode comprar um veículo mais caro tem capacidade contributiva maior.

O argumento de quem discorda: o problema é que a alíquota não diferencia entre o trabalhador que depende do carro para trabalhar e o milionário que tem uma frota de luxo. Para uma família de classe média que comprou um carro de R$ 80 mil financiado em 48 parcelas, pagar R$ 3.200 de IPVA ao ano — além de seguro, manutenção, combustível e parcelas do financiamento — é um peso real. Já para alguém com patrimônio de R$ 10 milhões, o mesmo valor é quase irrelevante.

Outro ponto relevante: o IPVA recai sobre um bem essencial para boa parte dos brasileiros, especialmente fora das regiões metropolitanas com transporte público de qualidade. Tributar o único meio de locomoção de uma família em igual percentual ao de quem tem um carro de luxo levanta questionamentos sérios sobre equidade.

A PEC resolve o problema da progressividade? Parcialmente. A PEC reduz a alíquota, o que beneficia todos os proprietários. Mas o maior benefício absoluto vai para quem tem carros mais caros — ou seja, para os mais ricos. Quem tem carro popular de R$ 40 mil economiza R$ 1.200 por ano, mas quem tem um SUV de R$ 400 mil economiza R$ 12.000. Para quem critica, se o objetivo é aliviar o bolso da classe média e dos trabalhadores, uma isenção para carros abaixo de determinado valor seria uma solução mais progressiva.

12. Quais são as chances reais de aprovação?

Para ser aprovada, a PEC precisa de apoio de 3/5 dos membros de cada Casa do Congresso, em dois turnos de votação: mínimo de 308 votos na Câmara (de 513) e 49 votos no Senado (de 81). Trata-se de um quórum elevado, e o caminho está longe de ser simples.

Quem tende a apoiar: a proposta tem apelo popular imediato — todo motorista quer pagar menos imposto. Isso cria uma janela política interessante, especialmente para deputados em busca de pauta com visibilidade em ano eleitoral. Partidos de oposição ao governo federal e parlamentares de perfil mais liberal tendem a ter simpatia com a medida.

Quem tende a se opor: os governadores serão o principal obstáculo. O IPVA é uma receita crucial para os estados, e qualquer redução significativa precisaria ser compensada de alguma forma. Governadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais — que mais arrecadam — vão pressionar seus aliados no Congresso contra a proposta. Senadores, que têm relação mais próxima com os governadores, também tenderão a ser resistentes.

O histórico de propostas semelhantes: o Congresso já debateu a tributação do IPVA outras vezes. Em 2023, a PEC 72 foi aprovada para isentar veículos com mais de 20 anos — mas era uma medida bem mais modesta, que não ameaçava receitas de forma significativa. Uma proposta de redução geral da alíquota para 1% tem impacto fiscal muito maior e histórico de resistência proporcional.

Avaliação: a PEC de Kataguiri tem baixa probabilidade de aprovação no curto prazo, mas pode ganhar tração como pauta eleitoreira em 2026. O debate que ela abre, porém, é valioso: força estados a justificarem publicamente por que cobram 4% de IPVA e pode pressionar por reduções voluntárias — como a que o Paraná já fez ao baixar sua alíquota de 3,5% para 1,9%.

13. Curiosidades e dados que surpreendem

A maior frota da história. O Brasil possui a maior frota já registrada em sua história: 123,9 milhões de veículos em circulação. O volume avançou 4% em 2024, com o maior impulso vindo dos estados do Norte e pela aquisição de utilitários. Em termos práticos, isso representa aproximadamente 1 veículo para cada 2 brasileiros.

São Paulo domina com folga. São Paulo mantém a maior frota do país, com 34,3 milhões de veículos — 27,7% do total nacional. Em termos de arrecadação, o estado contribui com cerca de R$ 29,7 bilhões, mais que a soma de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul juntos.

O carro mais vendido do Brasil e seu IPVA. O Volkswagen Polo foi o carro mais vendido do Brasil em 2024, emplacando 140.177 unidades entre janeiro e dezembro. Uma versão intermediária do Polo, avaliada em torno de R$ 90 mil pela tabela FIPE, paga R$ 3.600 de IPVA em São Paulo. Com a PEC, esse valor cairia para R$ 900 — economia de R$ 2.700 por ano para o proprietário.

O IPVA e a proporção por habitante. A maior proporção de veículos por habitante é de Santa Catarina, com 0,80 veículo por pessoa, seguida pelo Paraná (0,78), São Paulo (0,75), Mato Grosso e Rio Grande do Sul (0,74). A menor proporção foi registrada no Amazonas, com apenas 0,28 veículo por habitante.

A cor e o combustível da frota. A frota brasileira é predominantemente branca (21,7% do total), seguida pelo preto (18,9%) e pela prata (16,5%). A tecnologia que predomina é o flexfuel, com 42,2%, acompanhada de gasolina (40,5%) e diesel (7,8%). Os elétricos cresceram de forma expressiva, mas mantêm participação reduzida no total.

Estados com IPVA mais barato atraem emplacamentos. A diferença entre as alíquotas estaduais cria um fenômeno de “turismo tributário”: motoristas que moram em estados com alíquotas altas registram seus veículos em estados mais baratos. O Paraná usou exatamente esse argumento para justificar a redução da alíquota: a expectativa é que muitos paranaenses que registraram seus veículos em Santa Catarina por causa da menor carga tributária retornem ao estado.

O motoboy e o IPVA. O Brasil é um dos poucos países do mundo que cobra IPVA sobre motocicletas usadas como instrumento de trabalho por entregadores. Nos estados com alíquotas mais altas, um motoboy que usa sua moto de R$ 15 mil para trabalhar paga entre R$ 300 e R$ 450 de IPVA por ano — um custo relevante para quem vive de entregas.

Conclusão

O IPVA é, sem dúvida, um dos impostos mais presentes na vida cotidiana dos brasileiros — e um dos que mais geram insatisfação. A PEC de Kim Kataguiri toca em um ponto real: em estados como São Paulo, a carga tributária sobre veículos é elevada em comparação com padrões internacionais.

Mas a equação não é simples. Reduzir a alíquota para 1% aliviaria o bolso de mais de 100 milhões de proprietários de veículos — porém ao custo de R$ 38 bilhões por ano que deixariam de ir para estados e municípios. E as medidas compensatórias propostas carregam resistências políticas enormes.

O debate que a PEC abre, porém, é saudável. Ela força estados a justificarem suas alíquotas, ilumina as distorções do sistema atual e coloca na agenda a necessidade de pensar em um modelo de tributação veicular mais moderno — com critérios ambientais, maior equidade e menos dependência de um único imposto para custear serviços públicos.

No fim das contas, o IPVA é uma janela para um problema maior: a complexidade e a elevada carga tributária brasileira. Simplificar, reduzir e modernizar os impostos é uma pauta que vai muito além de um único imposto — mas começa, quem sabe, quando um boleto azul chega na caixa de entrada de 123 milhões de proprietários de veículos ao mesmo tempo.

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Cilêda Cézar
Ótimo aplicativo, muito útil! Muito fácil de se usar e o principal de tudo : Muita economia na hora de abastecer, descontos na hora do abastecimento. Estou indicando para meus amigos e ganho na hora as "Baratinhas" para trocar por combustível. Super indico essa maravilha. E tem mais , o aplicativo é cheio de funcionalidades muito valiosas. Parabéns a todos os idealizadores
Dalio Pinto
O aplicativo Baratão é excelente! A interface é simples e intuitiva, o que facilita bastante na hora de procurar as melhores ofertas. As promoções são muito vantajosas, e o atendimento ao cliente é sempre eficiente e ágil para resolver qualquer dúvida. As notificações de descontos também são um ponto forte, já que avisam de todas as promoções em tempo real. Recomendo para quem quer economizar e fazer compras com praticidade!
Bruno Souza
Simplesmente incrível! O Baratão revolucionou a forma como economizo em abastecimento. A interface é super intuitiva, os descontos são realmente vantajosos, e sempre encontro os melhores preços na minha região. É uma mão na roda para quem quer economizar de verdade. Recomendo de olhos fechados!
Hercules Amaral
Tem me servido bem e tenho economizado um bom valor, pois utilizo em carro utilitário que faz entregas então abasteço bastante, chego a ter economia de quase R$ 0,50 por litro. Tem dado certo, nunca tive nenhum problema, e quando precisei do suporte me atenderam rápido. Inclusive pode pagar no cartão e até parcelar. Recomendo.
Fabio Rigo
Ótimo app para economizar! Achei o app super fácil de usar e realmente cumpre o que promete. Consegui encontrar preços muito bons em postos próximos que eu nem sabia que existiam. Vale destacar que esses preços só são acessíveis pelo app, comprando diretamente no posto sai mais caro. É uma ótima forma de economizar no dia a dia, recomendo para todo mundo que quer abastecer pagando menos!

Sua melhor escolha para economia e praticidade. Aproveite descontos exclusivos e abasteça pelo menor preço.
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