Petróleo em Guerra: Drones Ucranianos x Refinarias Russas

Drones na Mira das Refinarias: Como a Ucrânia Transformou o Petróleo na Principal Frente de Guerra Contra a Rússia

Na noite de 6 de abril de 2026, drones ucranianos atingiram um terminal de petróleo na região de Krasnodar, no sul da Rússia. Moscou confirmou o ataque. A Ucrânia não negou. E o mundo do petróleo mais uma vez registrou tremores.

*Imagem aprimorada por IA.

O episódio não foi um ato isolado nem uma surpresa para quem acompanha o conflito de perto. Ele é parte de uma campanha sistemática, meticulosamente planejada e tecnologicamente cada vez mais sofisticada, que Kiev vem conduzindo contra a infraestrutura energética russa. Refinarias, terminais de exportação, depósitos de combustível e oleodutos: tudo virou alvo. A lógica é simples e ao mesmo tempo brutal. Para derrotar a Rússia no campo de batalha, a Ucrânia descobriu que precisa também atacá-la onde dói mais: no bolso.

Esta matéria explica do zero como essa estratégia funciona, quais são os números reais por trás dos ataques, o que muda no mercado global de energia e, no final, por que tudo isso também pode chegar ao consumidor brasileiro na ponta da bomba de combustível.

O Petróleo Como Arma de Guerra

Antes de entrar nos dados e nos ataques, é preciso entender por que o petróleo é tão central nesse conflito.

A Rússia é um dos maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Durante décadas, os hidrocarbonetos, petróleo e gás, foram a espinha dorsal das finanças do Kremlin. Em 2011 e 2014, quando o barril estava acima de 100 dólares, a receita de óleo e gás chegou a representar cerca de 50% de toda a arrecadação do governo federal russo. Era, literalmente, o combustível que movia não apenas a economia, mas também o aparato militar do país.

Com a guerra na Ucrânia, sanções ocidentais, queda nos preços globais e diversificação forçada da economia, esse percentual caiu bastante. Em 2025, segundo o Oxford Institute for Energy Studies, os hidrocarbonetos representaram apenas 23% da receita do orçamento federal russo, a menor fatia em mais de 20 anos. Ainda assim, em termos absolutos, isso significa 8,48 trilhões de rublos, equivalentes a aproximadamente 104 bilhões de dólares, saídos apenas do setor energético. Uma quantia que financia guerras, paga salários de soldados, compra munição e sustenta a máquina burocrática do Estado.

Cortar essa veia, ou ao menos sangrar parte dela, é o objetivo central da campanha ucraniana. Não se trata apenas de destruir instalações industriais. Trata-se de tornar a guerra economicamente insuportável para Moscou.

A Campanha Sistemática: Uma Linha do Tempo dos Ataques

A Ucrânia não começou a atacar infraestrutura energética russa em 2026. A campanha vem sendo construída há anos, com intensidade crescente a cada temporada.

Em 2024, as primeiras ondas de drones de longo alcance ucranianos começaram a atingir refinarias em regiões do interior da Rússia que até então se julgavam a salvo do conflito. Em dezembro daquele ano e janeiro de 2025, centenas de drones foram lançados contra refinarias em várias regiões, causando um mergulho histórico nas exportações e na capacidade de processamento de petróleo russo.

Ao longo de 2025, a campanha se intensificou de forma dramática. Segundo estimativas da comunidade de inteligência de código aberto Oko Hora, as forças ucranianas realizaram mais de 350 ataques profundos bem-sucedidos no território russo ao longo de 2025. Em agosto e setembro daquele ano, uma série de ataques altamente eficazes contra instalações portuárias e de processamento energético culminou em um resultado que parecia impossível poucos anos antes: drones ucranianos haviam atingido 38% das refinarias russas em termos de capacidade nominal de processamento, causando escassez de gasolina em pelo menos 57 regiões do país e levando o governo russo a estender por três vezes consecutivas a proibição de exportação de gasolina.

No primeiro trimestre de 2026, o ritmo dobrou. Segundo o Kyiv Post, entre fevereiro e março deste ano, a Ucrânia lançou ao menos 110 pacotes de ataques com drones contra alvos individuais russos, com o número de aeronaves por missão saltando de 50 a 70 unidades no fim de 2025 para 100 a 200 por noite em 2026.

Os episódios mais emblemáticos das últimas semanas formam uma sequência que impressiona pela escala. Entre 22 e 27 de março, drones ucranianos atacaram em sequência os dois maiores portos de exportação de petróleo do Mar Báltico russo: Primorsk, em 22 de março, e Ust-Luga, em 25 de março. Logo depois, a refinaria de Kirishi foi atingida. Segundo cálculos da Reuters baseados em dados de mercado, os ataques cortaram cerca de 40% da capacidade total de exportação de petróleo russo, o equivalente a 2 milhões de barris por dia fora de operação.

Em 3 de abril, foi a vez da refinaria Novo-Ufimsk, em Bashkortostan: a unidade de destilação CDU-5, responsável por aproximadamente 28% da capacidade total da planta, foi forçada a encerrar operações após um incêndio provocado pelo ataque. Em 4 de abril, o drone ucraniano Liutyi atingiu a refinaria NORSI, em Nizhny Novgorod, a quarta maior da Rússia, causando novo incêndio. E em 6 de abril, veio o ataque ao terminal de petróleo de Krasnodar, no sul do país, que motivou a notícia do O Globo que originou este texto.

A Tecnologia por Trás dos Ataques

Uma das histórias mais fascinantes desse conflito é a evolução tecnológica dos drones ucranianos de longo alcance. No início da guerra, em 2022, Kiev tinha capacidade limitada de atingir alvos dentro do território russo. Hoje, a história é completamente diferente.

O drone Liutyi, desenvolvido domesticamente pela Ucrânia, é capaz de transportar explosivos até 2.000 quilômetros do ponto de lançamento. Para ter uma ideia de escala: a distância de Kiev a Moscou é de aproximadamente 860 quilômetros. A refinaria de Kirishi, atingida em março de 2026, fica a mais de 800 quilômetros da fronteira ucraniana, o que significa que esses drones operam em um raio que cobre praticamente toda a Rússia europeia.

E não é apenas o alcance que impressiona. O custo também caiu drasticamente. Drones de longo alcance ucranianos estão sendo produzidos por valores a partir de 55.000 dólares por unidade, um número que parece alto até ser comparado com os sistemas de defesa antiaérea que a Rússia usa para tentar derrubá-los, cada sistema Pantsir custa entre 15 e 20 milhões de dólares. Essa assimetria de custos é, por si só, uma estratégia de desgaste econômico.

A Ucrânia opera com dois modelos principais de ataque: enxames de drones FPV mais baratos para alvos táticos e drones de longo alcance como o Liutyi para alvos estratégicos. A eficiência dos ataques também melhorou substancialmente. Em 2025 e no início de 2026, as forças ucranianas destruíram aproximadamente metade do estoque operacional de sistemas Pantsir da Rússia, segundo o SBU, o serviço de inteligência ucraniano. Com menos cobertura antiaérea, os drones têm mais chance de chegar aos alvos. Ataques que antes eram repelidos com maior frequência começaram a se tornar rotineiramente bem-sucedidos.

Outra vantagem estratégica significativa é a autonomia que esses drones dão à Ucrânia. Ao contrário das armas fornecidas pelo Ocidente, que frequentemente vêm com restrições de uso, como a proibição de atingir alvos dentro do território russo com mísseis ATACMS em certas configurações, os drones domésticos ucranianos podem ser lançados sem necessidade de autorização de aliados. Isso deu a Kiev uma liberdade de ação que não existia antes.

O Impacto Real em Números

Mas qual foi o efeito concreto de tudo isso? Esse é um dos pontos mais debatidos entre analistas.

O impacto imediato e mais visível foi interno à Rússia. A campanha de drones contribuiu para uma crise inédita de combustível no mercado doméstico russo. Em pelo menos 57 regiões do país, cidadãos enfrentaram escassez de gasolina. Em algumas áreas, as autoridades chegaram a impor limites de abastecimento por cliente. O governo russo respondeu proibindo a exportação de gasolina repetidas vezes para garantir o abastecimento interno, o que por si só representa uma contradição para um país que se orgulha de ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Do ponto de vista da capacidade de refino, os ataques atingiram 38% das refinarias russas em capacidade nominal. Contudo, especialistas do Carnegie Endowment, um think tank americano de referência, alertam que o impacto real foi consideravelmente menor do que o nominal: a maioria das plantas retomou operações em poucas semanas, e a Rússia dispunha de capacidade ociosa e estoques de combustível que amorteceram o golpe. A estimativa mais conservadora aponta que a campanha de drones custou à Rússia mais de 700 milhões de dólares em danos a instalações petrolíferas apenas entre o final de 2024 e o início de 2025.

No front das exportações, os ataques a Primorsk e Ust-Luga foram os mais impactantes. Com 40% da capacidade de exportação marítima de petróleo comprometida momentaneamente, em 2 milhões de barris por dia, o efeito foi sentido nos mercados internacionais. Uma interrupção desse tamanho é comparável a tirar todo o petróleo do Iraque, quarto maior produtor da OPEP, do mercado de uma só vez.

O Paradoxo do Estreito de Ormuz

Aqui começa uma das ironias mais perturbadoras desta guerra, e que qualquer análise honesta precisa abordar.

A estratégia ucraniana de atacar a infraestrutura petrolífera russa tem como objetivo principal reduzir as receitas de Moscou e tornar a guerra mais cara para o Kremlin. Essa lógica funciona quando os preços globais do petróleo estão estáveis ou em queda: menos capacidade de exportação russa mais preço baixo do barril significa menos dólares entrando nos cofres do Estado russo.

O problema é que o mundo de 2026 não está operando nessa lógica. Em março deste ano, o Irã fechou o Estreito de Ormuz como represália aos ataques americanos e israelenses, desencadeando uma crise energética global de proporções históricas. O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima de apenas 33 quilômetros de largura, mas por ele passam diariamente entre 17 e 21 milhões de barris de petróleo, o equivalente a 20 a 25% de todo o consumo global da commodity. Com o bloqueio, o barril de Brent saltou para acima de 100 dólares, algo que não se via desde 2022.

O Goldman Sachs revisou suas projeções para o Brent em 20%, esperando 100 dólares por barril em março com uma interrupção de três semanas. Se o bloqueio se estendesse por dois meses, as previsões indicavam que o barril poderia terminar o ano em 93 dólares. O WTI chegou a superar 112 dólares por barril em algum momento da crise, o maior nível em anos.

O efeito colateral perverso para a Ucrânia é que, enquanto ela tenta cortar receitas russas destruindo infraestrutura de exportação, os preços mais altos do petróleo globalmente compensam parcialmente essa perda para a Rússia. O Kremlin exporta menos volume, mas recebe mais por cada barril que consegue vender. O próprio Zelensky reconheceu publicamente que a Rússia estava se beneficiando economicamente da crise no Oriente Médio.

Vale contextualizar os números. Em 2025, as receitas de petróleo e gás da Rússia já vinham em queda acentuada. Caíram 24% em termos reais em relação a 2024, chegando a 8,48 trilhões de rublos. Em novembro de 2025, a queda foi de 34% ano a ano. Em janeiro de 2026, as receitas de óleo e gás despencaram 50% em relação ao mesmo mês do ano anterior, atingindo uma mínima de cinco anos. O déficit fiscal russo de 2025 foi de 5,6 trilhões de rublos, o maior desde pelo menos 1996. Ao mesmo tempo, o petróleo russo Urals chegou a ser negociado abaixo de 40 dólares o barril em dezembro de 2025, bastante abaixo dos cerca de 58 dólares assumidos no orçamento federal russo para 2026.

A alta provocada pela crise de Ormuz trouxe algum alívio para o caixa do Kremlin num momento de enorme pressão. Não resolve o problema estrutural, mas adia parte do colapso fiscal que a Ucrânia esperava induzir.

Como a Rússia Tenta Responder e se Adaptar

Diante de uma campanha de drones que claramente não vai parar, como a Rússia está respondendo?

A primeira linha de defesa é o sistema antiaéreo. A Rússia possui uma das maiores redes de defesa antiaérea do mundo, com sistemas como o S-300, o S-400 e o Pantsir. Mas essa rede foi parcialmente destruída ou desgastada pela própria campanha ucraniana. As forças ucranianas desenvolveram uma tática específica para isso: antes de atacar grandes instalações de alto valor, enviam ondas de drones menores para esgotar os mísseis interceptores inimigos, ou atacam diretamente os sistemas Pantsir, que acabaram se tornando alvos preferenciais. A destruição de aproximadamente metade dos Pantsir operacionais russos em 2025 e início de 2026 foi descrita por analistas como uma mudança estratégica fundamental no conflito.

Do lado econômico, a Rússia tem tentado redirecionar suas exportações de petróleo para mercados alternativos, principalmente China e Índia, que juntos absorvem a maior parte do petróleo russo que não vai mais para a Europa. A China emergiu como o principal comprador de petróleo russo com desconto, especialmente depois que a Índia começou a reduzir suas compras em 2026 como parte de um acordo comercial com os Estados Unidos. No entanto, encontrar novos compradores para volumes que a Índia deixou de absorver está se mostrando difícil, e a China tende a negociar com descontos ainda maiores, sabendo que a Rússia tem poucas alternativas.

Do ponto de vista físico, as refinarias e terminais danificados têm sido reparados, mas em geral levam semanas para retomar a operação plena. O problema é que com a cadência atual dos ataques, cada vez mais intensa, a reparação de um dano pode ser seguida rapidamente por um novo ataque. É um jogo de gato e rato no qual a Rússia gasta recursos e capital humano em reparos enquanto a Ucrânia mantém a pressão com drones cada vez mais baratos.

O Que Isso Muda no Mercado Global de Petróleo

A guerra energética entre Ucrânia e Rússia não existe numa bolha. Ela se interconecta com o restante do mercado global de petróleo de formas complexas.

No início de 2026, antes da crise de Ormuz, o mercado estava afogado em oferta. Brasil, Estados Unidos e os países da OPEP+ expandiam sua produção, e o barril de Brent rondava 60 dólares. A crise de Ormuz virou esse tabuleiro de cabeça para baixo. A combinação de bloqueio marítimo no Oriente Médio com ataques à infraestrutura russa criou um cenário de dupla pressão sobre a oferta global.

O impacto nos preços de frete foi imediato e severo. Com 16 petroleiros, cargueiros e outras embarcações atacados no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico nas primeiras semanas do conflito Iran-EUA, as seguradoras classificaram as rotas da região como zonas de risco elevado. Os prêmios de seguros de guerra explodiram. O custo total do frete marítimo subiu, e esse aumento se transfere para o preço final dos produtos em todo o mundo.

Do ponto de vista estrutural de longo prazo, analistas do Carnegie Endowment alertam que os ataques ucranianos à infraestrutura de petróleo russa podem ter consequências permanentes no setor. Poços de petróleo se esgotam se não receberem investimento contínuo. Com as receitas em queda, sanções dificultando o acesso a tecnologia de ponta e a insegurança causada pelos ataques, as empresas russas do setor estão com cada vez menos capacidade de fazer novos investimentos. Em 2025, as exportações totais de petróleo e derivados da Rússia responderam por 38% do total das exportações do país, com valor de cerca de 160 bilhões de dólares. Sem investimento, essa base começa a se deteriorar.

Brasil no Meio de Tudo Isso

O Brasil fica a mais de 10.000 quilômetros do estreito de Ormuz e a mais de 12.000 quilômetros da Ucrânia. Mas isso não significa que a guerra energética que se desenrola nessas regiões seja algo distante do cotidiano do brasileiro.

A Petrobras tem uma vantagem geográfica considerável nesse cenário. Sua produção está concentrada no pré-sal, no Atlântico Sul, longe das zonas de conflito, e não precisa do Estreito de Ormuz para exportar petróleo. Isso garante uma independência logística importante e a coloca numa posição privilegiada quando a oferta global se contrai. Com o barril mais caro, as exportações brasileiras se valorizam, e estimativas apontam que o país pode arrecadar entre 10 e 15 bilhões de reais adicionais por ano com o petróleo em patamares mais elevados.

Mas a equação não é simples, porque o Brasil também importa. O país importa petróleo mais leve, sobretudo da Arábia Saudita, para compor a produção de derivados de maior valor agregado. Além disso, o Brasil é altamente dependente de fertilizantes com enxofre, e 44% da produção mundial desse insumo passa pelo Estreito de Ormuz. Com o bloqueio, fertilizantes ficam mais caros, e o agronegócio, um dos pilares da economia brasileira, sente o impacto.

O elo mais visível para o consumidor comum, no entanto, é o combustível. O preço dos combustíveis no Brasil segue o Preço de Paridade de Importação, diretamente atrelado ao Brent. Quando o Brent sobe, a Petrobras enfrenta pressão para repassar os aumentos às distribuidoras e, consequentemente, ao consumidor final na bomba. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou em março que a empresa tentará absorver parte da volatilidade sem repassar imediatamente ao consumidor, mas especialistas alertam que, se os preços elevados persistirem por meses, a defasagem em relação ao preço de paridade de importação tornará os reajustes inevitáveis.

E não para por aí. O Brasil movimenta cerca de 65% de toda a sua carga por meio de caminhões. O diesel é o combustível desse sistema. Quando o diesel sobe, tudo sobe, de frutas e verduras a produtos industrializados. A inflação de custos provocada por um choque no petróleo não fica restrita ao posto de gasolina.

Vale também mencionar o câmbio. Um cenário de alta aversão ao risco global, provocado por guerras e crises energéticas, tende a afastar capital estrangeiro de mercados emergentes e pressionar o real para baixo. Um real mais fraco significa importações mais caras, o que inclui petróleo, fertilizantes e insumos industriais. É um efeito cascata que começa numa refinaria em chamas na Rússia e termina no carrinho de compras do consumidor brasileiro.

O Futuro da Guerra Energética

Olhando para o horizonte, a tendência é de escalada, não de recuo. A Ucrânia já sinalizou que vai continuar intensificando sua campanha de drones em 2026. O programa Build with Ukraine, lançado em 2025 para permitir a coprodução de drones ucranianos em países europeus, tem como objetivo exatamente isso: aumentar o volume e a frequência dos ataques enquanto reduz a vulnerabilidade das fábricas dentro da própria Ucrânia, que são alvos constantes de mísseis russos.

Além dos drones, a Ucrânia está desenvolvendo mísseis balísticos e de cruzeiro domésticos com alcance cada vez maior, o que pode ampliar o leque de alvos atingíveis dentro da Rússia. Com ogivas maiores do que as que os drones atuais conseguem carregar, esses mísseis poderiam causar danos mais permanentes às instalações russas, reduzindo a capacidade de reparo rápido que tem limitado o impacto da campanha atual.

Do lado russo, a resposta tende a ser uma combinação de reparos acelerados, mais cobertura antiaérea para as instalações críticas e redirecionamento das exportações para evitar terminais vulneráveis. Mas cada uma dessas respostas tem um custo, e num cenário de receitas em queda e déficit fiscal crescente, o Kremlin tem cada vez menos margem para absorver esses custos.

A questão de fundo, que analistas debatem intensamente, é se a campanha ucraniana pode de fato ser decisiva. A perspectiva mais otimista, do ponto de vista de Kiev, é que a combinação de drones cada vez mais eficazes, queda nos preços internacionais do petróleo e esgotamento das reservas financeiras russas pode eventualmente tornar o esforço de guerra do Kremlin insustentável. A perspectiva mais pessimista é que a Rússia tem capacidade de se adaptar e de encontrar novos compradores para seu petróleo no Sul Global, e que a campanha, embora dolorosa, não será suficiente para forçar uma mudança política em Moscou.

O que ninguém questiona é que o petróleo deixou de ser um pano de fundo do conflito. Ele se tornou um dos principais campos de batalha. E enquanto refinarias pegam fogo no sul da Rússia, o mundo inteiro, do consumidor brasileiro ao investidor asiático, sente as ondas desse incêndio.

Perguntas frequentes

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