Radar dos Combustíveis: Diesel Sobe e Gasolina Fica Estável

A semana começou com uma pergunta na cabeça de quem depende do carro, da moto ou do caminhão: afinal, o combustível subiu ou caiu? A resposta, desta vez, é “depende de qual”. O diesel voltou a disparar e atingiu o maior patamar desde maio, a gasolina se manteve praticamente parada na média nacional e o etanol subiu, mas continua vantajoso em boa parte do país. Neste Radar dos combustíveis, você confere o que mudou nas bombas, por que os preços estão se movimentando, quais medidas do governo estão em vigor e o que esperar para os próximos dias.

Radar da semana: o resumo do que subiu, desceu e ficou estável

Para quem quer a informação rápida, o retrato é este. O diesel S10 foi o grande destaque de alta e chegou à média nacional de R$ 7,13 por litro na semana de 13 a 19 de setembro, avanço de 2,3% em relação à semana anterior. É o valor mais alto registrado desde o fim de maio e marca a segunda semana seguida de aumento, já que na semana de 6 a 12 de setembro o combustível já tinha subido 1,31%, para R$ 6,97.

A gasolina comum, por outro lado, ficou estável. A média nacional se manteve em R$ 6,53 por litro no levantamento mais recente disponível para o combustível, referente à semana de 6 a 12 de setembro. A estabilidade não aconteceu por acaso: desde o dia 10 de setembro está em vigor um corte de tributos federais que ajuda a segurar o preço, mesmo com o petróleo em alta no mercado internacional.

O etanol hidratado subiu 2,3% no mesmo período e passou de R$ 3,95 para R$ 4,04 por litro na média do país. Mesmo com a alta, ele segue competitivo em relação à gasolina na maior parte dos estados onde o consumo é mais relevante. Já o gás de cozinha teve variação leve, de 0,2%, com o botijão de 13 quilos a R$ 114,28 em média.

Em resumo, a semana foi de pressão concentrada no diesel, de alívio segurado por impostos na gasolina e de alta moderada no etanol. Por trás de todos esses movimentos está o mesmo protagonista: o petróleo, que voltou a ser negociado acima de US$ 100 o barril. Vale lembrar que os valores citados são médias nacionais e que o preço em cada posto pode variar bastante conforme a cidade, o bairro e a bandeira.

Diesel em alta: S10 a R$ 7,13, o maior valor desde maio

O diesel é o combustível que mais sentiu o peso do cenário internacional nas últimas semanas. Depois de atingir o pico do ano, de R$ 7,58 por litro, na semana de 5 a 11 de maio, o S10 passou por um período de queda gradual que se estendeu pelo inverno. Em agosto, chegou a ser o combustível que liderou as reduções de preço nos postos. Setembro, porém, inverteu a tendência, e as duas últimas pesquisas mostraram altas seguidas que levaram a média de volta para acima de R$ 7.

O diesel S500, conhecido como diesel comum, também subiu. Na semana de 6 a 12 de setembro, o preço médio passou de R$ 6,47 para R$ 6,55 por litro, alta de 1,23%. O movimento acompanha o S10, ainda que em ritmo um pouco menor, e afeta principalmente frotas mais antigas, máquinas agrícolas e veículos pesados que ainda utilizam esse tipo de combustível.

Um dos fatores que explicam a alta neste momento é o calendário agrícola. Setembro marca o início do plantio da sojaem diversas regiões do país, e essa atividade aumenta muito a procura por diesel. O combustível move tratores, colheitadeiras, caminhões que transportam insumos e toda a logística que acompanha a safra. Quando a demanda cresce justamente em um período de petróleo caro, a pressão sobre os preços fica ainda maior.

Outro ponto importante é a dependência de importação. Uma parcela relevante do diesel consumido no Brasil vem do exterior, e isso deixa o mercado interno mais exposto às oscilações da cotação internacional e do câmbio. Com a disparada recente do petróleo, a diferença entre o preço lá fora e o praticado aqui dentro aumentou. Na prática, empresas importadoras passaram a ter mais dificuldade para fechar novas compras, já que o produto trazido de fora pode chegar ao país com custo maior do que o valor de venda no mercado interno. Representantes do setor alertam que, se esse descompasso persistir, podem surgir dificuldades pontuais de abastecimento e diferenças de preço ainda maiores entre regiões.

Para o motorista comum, que abastece uma picape ou um SUV a diesel, a alta de algumas dezenas de centavos por litro já pesa no fim do mês. Mas o impacto mais amplo está no transporte de cargas. Como a maior parte das mercadorias no Brasil circula por rodovias, qualquer aumento no diesel tende a se espalhar para o frete e, em seguida, para o preço de alimentos, materiais de construção e produtos em geral. É por isso que o diesel é acompanhado de perto por economistas e pelo próprio governo, que vem adotando medidas específicas para tentar conter os repasses.

Gasolina estável: média nacional de R$ 6,53

Se o diesel foi o vilão da semana, a gasolina foi a surpresa positiva, ou pelo menos neutra. A média nacional da gasolina comum permaneceu em R$ 6,53 por litro, sem variação em relação à semana anterior. Considerando que o petróleo subiu cerca de 12,8% ao longo de setembro, manter o preço parado na bomba é, por si só, um resultado relevante.

A principal explicação está na política tributária. Desde 10 de setembro, e com validade até 5 de outubro, o governo reduziu as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina em R$ 0,63 por litro. Com isso, a carga total de tributos federais sobre o combustível caiu para apenas R$ 0,16 por litro. Essa medida substituiu a subvenção de R$ 0,44 por litro que vinha sendo aplicada desde maio e que terminou em 9 de setembro. Em outras palavras, o alívio ficou maior do que o anterior, o que ajudou a absorver a pressão internacional.

Para entender a importância disso, vale lembrar o que aconteceu em maio. Na ocasião, a Petrobras reajustou a gasolina vendida às distribuidoras em R$ 0,48 por litro, mas o subsídio de R$ 0,44 reduziu o efeito prático para apenas R$ 0,04. Desde então, o governo vem usando mecanismos temporários para evitar que a volatilidade do mercado internacional chegue integralmente ao consumidor. A gasolina brasileira também passou a ter 32% de etanol anidro na mistura desde agosto, medida que igualmente foi apresentada como forma de reduzir a dependência do petróleo importado.

Apesar da estabilidade na média, as diferenças regionais continuam grandes. O Norte registrou a gasolina mais cara do país, com média de R$ 7,00 por litro, enquanto o Sul teve o menor preço regional, de R$ 6,39. Entre os estados, o Rio Grande do Sul apareceu com a gasolina mais barata na média, a R$ 6,17 por litro. São mais de 80 centavos de diferença entre as pontas, algo que pesa muito para quem roda bastante.

Essas diferenças se explicam por uma combinação de fatores. O ICMS, imposto estadual, tem alíquotas e formas de cálculo que influenciam o preço final. A distância das refinarias e dos terminais de distribuição encarece o frete em regiões mais afastadas. A concorrência local entre postos também faz diferença: em cidades com muitos estabelecimentos próximos, a tendência é de preços mais disputados. Por fim, o tipo de refinaria que abastece cada região importa, já que nem todas seguem a mesma política de preços, como veremos mais adiante no caso da Bahia.

Etanol sobe, mas segue competitivo

O etanol hidratado teve uma semana de alta. A média nacional passou de R$ 3,95 para R$ 4,04 por litro, avanço de 2,3%. O movimento, porém, não foi uniforme: o preço subiu em 14 estados e no Distrito Federal, caiu em 8 estados e ficou estável em outros 3. A maior alta foi registrada em Goiás, onde o litro subiu 11,51% e chegou a R$ 4,36. A maior queda aconteceu no Acre, com recuo de 1,98%, para R$ 4,96.

São Paulo, principal estado produtor e consumidor de etanol do país, segue com o menor preço médio, de R$ 3,76 por litro, mesmo depois de uma alta de 1,62% na semana. Em alguns postos paulistas e mineiros, o litro chegou a ser encontrado abaixo de R$ 3. No extremo oposto, Rio Grande do Norte e Roraima tiveram o etanol mais caro na média, a R$ 5,39 por litro, e o preço mais alto encontrado em um posto chegou a R$ 6,59, em Pernambuco.

A boa notícia é que o etanol continua valendo a pena em boa parte do país. Na média nacional, o preço do etanol correspondia a 61,87% do valor da gasolina, bem abaixo do limite de 70% usado como referência para indicar vantagem econômica. O biocombustível foi mais competitivo em 11 estados e no Distrito Federal. Os destaques ficaram com Mato Grosso, com paridade de 57,19%, São Paulo, com 59,21%, e Mato Grosso do Sul, com 60,78%. Já estados como Pará (69,57%) e Rondônia (69,19%) estavam no limite, o que exige atenção redobrada na hora de fazer a conta. Na Bahia, a paridade ficou em 67,46%.

A regra dos 70% funciona assim: divida o preço do litro do etanol pelo preço do litro da gasolina. Se o resultado for menor que 0,70, o etanol tende a compensar, porque rende menos quilômetros por litro, mas custa proporcionalmente menos. Se o resultado for maior que 0,70, a gasolina costuma ser a escolha mais econômica. Especialistas lembram que essa é uma referência geral e que alguns veículos flex mais modernos conseguem aproveitar o etanol com eficiência maior, o que pode tornar o biocombustível vantajoso mesmo com paridade um pouco acima de 70%. O ideal é conhecer o consumo real do seu carro com cada combustível.

O governo também tomou uma medida específica para o etanol. Desde 10 de setembro, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o etanol hidratado foram zeradas, o que representa um corte de cerca de R$ 0,19 por litro. A intenção é manter o biocombustível atrativo em relação à gasolina e estimular o consumo de uma alternativa produzida no país, menos dependente das oscilações do petróleo.

Gás de cozinha: variação leve e diferenças regionais

Embora não seja usado para abastecer veículos, o gás de cozinha entra no radar porque pesa diretamente no orçamento das famílias e acompanha a mesma dinâmica do mercado de derivados de petróleo. Na semana de 6 a 12 de setembro, o preço médio do botijão de 13 quilos subiu 0,2% e chegou a R$ 114,28.

A variação foi pequena, mas as diferenças entre regiões chamam atenção. O Norte teve o botijão mais caro, com média de R$ 125,19, enquanto o Sudeste registrou o menor valor, de R$ 111,24. São quase R$ 14 de diferença, o que representa um peso importante para famílias de menor renda, que costumam comprometer uma fatia maior do orçamento com o gás.

O GLP também faz parte dos programas de apoio do governo relacionados à crise do petróleo. Os recursos destinados a subvenções envolvendo diesel, gasolina e gás de cozinha já somam bilhões de reais, e só a Petrobras informou ter recebido cerca de R$ 9,5 bilhões acumulados nesses programas. Enquanto essas políticas estiverem ativas, a expectativa é que o preço do botijão siga com oscilações moderadas, sem saltos bruscos no curto prazo. Ainda assim, os valores podem variar conforme a região, a revendedora e a forma de entrega.

O que está puxando os preços: o petróleo acima de US$ 100

Para entender o sobe e desce nas bombas, é preciso olhar para fora do Brasil. O petróleo Brent, principal referência do mercado internacional, encerrou a sexta-feira (18) cotado a US$ 104,87 por barril. No início de setembro, ele estava próximo de US$ 93. A valorização de aproximadamente 12,8% em pouco mais de duas semanas é significativa e reacende a preocupação com os preços dos combustíveis no mundo inteiro.

A alta está ligada ao aumento das incertezas sobre a oferta global de petróleo, em meio a conflitos e tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã, Rússia e Ucrânia. Desde o início do ano, a instabilidade no Oriente Médio vem provocando fortes oscilações na cotação do barril. Em março, por exemplo, o Brent chegou a operar em níveis críticos, o que levou os preços dos combustíveis no Brasil ao maior patamar do ano. Depois de um período de alívio, o mercado voltou a ficar tenso em setembro.

O efeito disso no Brasil depende de como cada combustível é produzido e precificado. O país produz grande volume de petróleo, mas não refina tudo o que consome, especialmente no caso do diesel. Por isso, parte do combustível vendido aqui é importada e segue as cotações internacionais. Além disso, as refinarias levam em conta o câmbio, já que o petróleo é negociado em dólar. Quando o barril sobe e o real perde valor ao mesmo tempo, a pressão sobre os preços internos se multiplica.

Também é importante lembrar que o preço pago na bomba não depende só do valor cobrado pelas refinarias. Na composição final entram os custos de produção e importação, as margens de distribuição e revenda, o transporte e a logística, os tributos federais e estaduais e a mistura obrigatória de biocombustíveis, que inclui o etanol anidro na gasolina e o biodiesel no diesel. Por isso, uma alta do petróleo nem sempre chega ao consumidor de forma imediata ou na mesma proporção. Em alguns momentos o repasse é mais lento, em outros é mais rápido, dependendo dos estoques, da concorrência e das políticas em vigor.

As medidas do governo em vigor

Diante da escalada do petróleo, o governo federal ampliou em setembro o pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis. Entender o que está valendo ajuda a prever o comportamento das bombas nas próximas semanas.

No diesel, a principal novidade é uma nova subvenção econômica de R$ 1 por litro, criada por medida provisória em 11 de setembro e regulamentada por portaria do Ministério da Fazenda. O mecanismo autoriza a União a pagar esse valor a produtores e importadores de diesel de uso rodoviário que aderirem ao programa, com duração inicial prevista de 30 dias. O desconto deve ser aplicado diretamente no preço de venda e registrado na nota fiscal. O valor pode ser alterado, interrompido ou prorrogado pelo governo conforme as condições do mercado e a disponibilidade de recursos.

Essa nova ajuda se soma a outro subsídio já existente, de R$ 1,12 por litro, que tem validade até 26 de setembro. Com os dois mecanismos combinados, o apoio ao diesel pode chegar a R$ 2,12 por litro durante o período em que ambos estiverem ativos. Na prática, foi isso que permitiu à Petrobras aplicar um aumento de R$ 1 por litro no diesel A vendido às distribuidoras a partir de 17 de setembro sem alterar o valor efetivamente pago por elas, já que o reajuste foi acompanhado de um desconto de igual valor.

Na gasolina, como explicado anteriormente, o governo optou pelo caminho tributário: o corte de R$ 0,63 por litro no PIS/Cofins, válido de 10 de setembro a 5 de outubro, reduziu a carga federal a R$ 0,16 por litro. No etanol hidratado, a tributação federal foi zerada no mesmo período. Essas medidas se somam à mistura de 32% de etanol anidro na gasolina, em vigor desde agosto.

Um ponto de atenção é que nem todas as refinarias aderem automaticamente aos mecanismos de subvenção. A Petrobras aderiu ao programa do diesel, mas refinarias privadas tomam suas próprias decisões. Isso ajuda a explicar por que algumas regiões sentem aumentos que outras não sentem, e é justamente o que está acontecendo em parte do Nordeste.

Pelo Brasil: onde o combustível pesa mais

A média nacional ajuda a entender a tendência, mas o motorista sente mesmo é o preço da sua cidade. E, neste momento, as diferenças entre regiões estão bem marcadas. O Norte segue como a região com os combustíveis mais caros, tanto na gasolina, com média de R$ 7,00, quanto no gás de cozinha. Distância dos centros de refino, custos logísticos e menor concorrência entre postos contribuem para esse cenário.

O Sul e parte do Centro-Oeste aparecem na outra ponta. O Rio Grande do Sul tem a gasolina mais barata na média estadual, e estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, grandes produtores de cana, oferecem etanol bastante competitivo. Em São Paulo, a combinação de grande produção de etanol e muita concorrência entre postos mantém o biocombustível como uma das opções mais econômicas do país.

A Bahia é um caso à parte e ilustra bem como a política de cada refinaria faz diferença. O estado é abastecido principalmente pela Refinaria de Mataripe, administrada pela empresa privada Acelen, que segue uma política de preços baseada na paridade de importação, levando em conta a cotação internacional do petróleo, o câmbio e os custos de frete. Em 17 de setembro, a Acelen anunciou um reajuste que elevou a gasolina A em R$ 0,1025 por litro, o diesel S10 em R$ 0,7046 e o diesel S500 em R$ 0,8746 no produto misturado. Até o anúncio, a empresa não havia informado se aderiria à nova subvenção federal de R$ 1 no diesel.

O reflexo apareceu rápido nas bombas de Salvador. A gasolina comum, que era encontrada por cerca de R$ 6,20, passou a aparecer por volta de R$ 6,30, chegando a R$ 6,33 em alguns postos. O valor ainda está distante do recorde do ano, quando o litro chegou perto de R$ 8 na capital baiana em março, mas confirma que o mercado baiano responde mais rapidamente às oscilações internacionais do que regiões abastecidas por refinarias que seguem mecanismos de amortecimento.

Esse contraste mostra por que é tão importante acompanhar os preços localmente. Duas cidades separadas por poucas centenas de quilômetros podem ter comportamentos completamente diferentes na mesma semana, dependendo da refinaria que as abastece, da logística de distribuição e da concorrência entre os postos.

Previsão para os próximos dias: o que esperar nas bombas a partir de 21 de setembro

Prever preço de combustível é sempre um exercício de tendência, e não de certeza. O mercado depende do petróleo, do câmbio e de decisões do governo que podem mudar de um dia para o outro. Ainda assim, alguns fatores já estão no calendário e permitem desenhar o cenário mais provável para esta semana e para o início de outubro.

No diesel, a expectativa é de que a pressão continue nos próximos dias. O plantio da soja segue em andamento e mantém a demanda aquecida, e o Brent acima de US$ 100 dificulta qualquer alívio vindo do mercado internacional. O ponto central da semana é o dia 26 de setembro, quando vence o subsídio de R$ 1,12 por litro. Se o governo decidir renová-lo, o preço tende a se manter próximo do patamar atual. Se o mecanismo não for prorrogado, o diesel pode voltar a subir de forma mais intensa a partir do fim do mês, já que apenas a subvenção de R$ 1 continuaria ativa. Em regiões abastecidas por refinarias que não aderiram à nova subvenção, como a Bahia, o reajuste recente ainda deve continuar chegando aos postos ao longo da semana.

Na gasolina, a tendência é de estabilidade na média nacional enquanto estiver valendo o corte de PIS/Cofins, previsto até 5 de outubro. Pequenas oscilações para cima podem acontecer em cidades específicas, principalmente onde houve reajuste nas refinarias privadas, mas não há, até agora, sinalização de um aumento amplo no curto prazo. O grande ponto de interrogação fica para o início de outubro: se o corte tributário não for prorrogado, a gasolina pode ficar mais cara a partir do dia 6, já que a carga de impostos federais voltaria a subir. A decisão do governo sobre esse prazo deve ser um dos assuntos mais importantes para os motoristas nas próximas semanas.

No etanol, a expectativa é de que o biocombustível siga competitivo na maior parte dos estados produtores, favorecido pela tributação federal zerada. Oscilações regionais devem continuar, como a alta forte registrada em Goiás na última pesquisa, mas a paridade média abaixo de 70% indica que o etanol deve seguir como boa alternativa para os donos de carros flex, especialmente no Centro-Oeste e no Sudeste.

No gás de cozinha, o cenário mais provável é de variações pequenas, sem mudanças bruscas, enquanto os programas de apoio seguirem ativos.

A próxima atualização oficial dos preços está prevista para a sexta-feira (25), quando sai o novo levantamento semanal. É nele que será possível confirmar se o diesel manteve o ritmo de alta, se a gasolina seguiu estável e se o etanol voltou a subir ou deu uma trégua. Até lá, a recomendação é acompanhar o noticiário sobre o petróleo e sobre as decisões do governo, e principalmente comparar preços antes de abastecer, já que em momentos de instabilidade a diferença entre postos próximos tende a aumentar.

Como economizar em tempos de preço instável

Com o combustível sujeito a oscilações a cada semana, algumas atitudes simples podem fazer diferença real no orçamento. A primeira delas é fazer a conta entre etanol e gasolina sempre que for abastecer, e não apenas uma vez. Como a paridade muda de semana para semana, o combustível que compensava no mês passado pode não compensar hoje. Divida o preço do etanol pelo da gasolina e use o resultado como referência, lembrando de considerar o consumo real do seu carro.

A segunda é comparar preços antes de sair de casa. Em períodos de reajuste, cada posto repassa os aumentos em um ritmo diferente, e a diferença entre estabelecimentos de um mesmo bairro pode passar de 50 centavos por litro. Em um tanque de 50 litros, isso representa mais de R$ 25 em um único abastecimento. Ao longo de um mês, para quem abastece toda semana, a economia chega facilmente a três dígitos.

A terceira é cuidar da forma de dirigir. Acelerações bruscas, frenagens fortes e velocidade elevada aumentam muito o consumo. Manter uma condução suave, trocar de marcha no tempo certo nos carros manuais, evitar deixar o motor ligado parado por muito tempo e respeitar os limites de velocidade nas rodovias são hábitos que reduzem o gasto de combustível sem nenhum custo extra.

A quarta é a manutenção em dia. Pneus com calibragem abaixo do recomendado aumentam o atrito com o solo e elevam o consumo. Filtros de ar sujos, velas desgastadas e óleo vencido também prejudicam o rendimento do motor. Verificar a calibragem a cada quinze dias e seguir o plano de revisões do fabricante são medidas simples que ajudam o carro a gastar menos.

A quinta é planejar os trajetos. Juntar compromissos em uma mesma saída, evitar horários de trânsito intenso quando possível e usar aplicativos de navegação para escolher rotas mais fluidas reduzem o tempo com o motor ligado. Para quem trabalha com o carro, como motoristas de aplicativo e entregadores, esse planejamento faz diferença direta no lucro do dia.

Por fim, vale evitar o excesso de peso no veículo e o uso desnecessário do ar-condicionado em trajetos curtos e de baixa velocidade. Pequenos ajustes, quando somados, podem representar uma redução significativa no consumo mensal, especialmente em um cenário de preços pressionados como o atual.

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Perguntas frequentes

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