A Crise do Petróleo e as Medidas do Governo Para Conter

Quando o brasileiro para no posto de combustível e vê o litro da gasolina acima de R$ 6,50, a reação costuma ser a mesma: franzir o cenho, checar o saldo e reclamar da Petrobras. Mas a realidade é bem mais complexa do que isso. O preço que você paga na bomba é o resultado de uma cadeia longa e interdependente, que começa em poços de petróleo no Oriente Médio, passa por decisões de governos, flutuações cambiais, políticas tributárias de estados e municípios, e termina na margem de lucro do posto na esquina da sua casa.

Em 2026, essa equação ficou ainda mais complicada. A guerra entre os Estados Unidos e o Irã jogou o barril do petróleo tipo Brent acima dos US$ 100, ativou o pânico nos mercados internacionais e colocou o governo brasileiro numa corrida contra o tempo para evitar que o preço dos combustíveis explodisse no cotidiano das famílias e das empresas. O resultado foi uma série de medidas emergenciais anunciadas às pressas, que geraram mais dúvidas do que certezas.

O professor Edmar de Almeida, do Instituto de Energia da PUC-Rio, resumiu bem o problema: as iniciativas podem ajudar, mas foram implementadas de forma afobada e sem planejamento adequado. E, segundo ele, não garantem nenhum congelamento de preços. Esta matéria explica tudo isso com calma: por que os combustíveis subiram, o que o governo anunciou, o que ficou de fora, e o que pode acontecer quando as medidas tiverem prazo de validade e a guerra não tiver.

O mundo pegou fogo e o petróleo foi junto

Para entender o que aconteceu com os preços em 2026, é preciso voltar ao início do conflito no Oriente Médio. O confronto militar entre os Estados Unidos e o Irã, iniciado em março de 2026, rapidamente elevou o nível de tensão em torno do Estreito de Ormuz, um dos pontos mais estratégicos do planeta para o comércio de petróleo.

O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo estreito, localizado entre o Irã e a Península Arábica, por onde passam diariamente cerca de 15 milhões de barris de petróleo. Isso representa aproximadamente 20% de todo o petróleo que circula no mundo. Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e o próprio Irã dependem desse corredor para exportar sua produção. Quando ameaças de bloqueio ou ataques a embarcações surgem nessa região, o mercado internacional responde imediatamente.

Foi exatamente isso que aconteceu. Com o risco de fechamento ou perturbação do tráfego de navios pelo estreito, o preço do barril de petróleo Brent disparou. Em menos de duas semanas após o início do conflito, o barril ultrapassou os US$ 114. Em momentos de maior tensão, chegou próximo a US$ 119. O impacto psicológico de cruzar a barreira dos US$ 100 foi imediato nos mercados financeiros globais, derrubando bolsas e elevando a percepção de risco em toda a cadeia energética mundial.

Para o Brasil, a situação criou uma pressão direta. O país produz petróleo, é verdade, mas é ao mesmo tempo importador de derivados, e os preços da Petrobras para gasolina e diesel seguem parâmetros do mercado internacional. Quando o barril sobe lá fora e o dólar se mantém forte, o custo de produção e importação dos combustíveis no Brasil também sobe.

Como o preço do combustível é formado no Brasil

Antes de entrar nas medidas do governo, é fundamental entender como funciona a composição do preço que você paga na bomba. Muita gente imagina que o valor final é basicamente determinado pela Petrobras, mas não é bem assim.

O preço da gasolina comum, por exemplo, é formado por pelo menos cinco grandes componentes. O primeiro é a parcela da Petrobras ou do importador, que representa a maior fatia individual: cerca de 34% a 35% do valor final. Em fevereiro de 2025, com o litro da gasolina em torno de R$ 6,47 na média nacional, a parcela da Petrobras correspondia a cerca de R$ 2,21.

O segundo componente é o ICMS, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias. Desde 2022, uma lei complementar federal determinou que o ICMS sobre combustíveis passasse a ser cobrado em valor fixo por litro, e não mais como percentual sobre o preço do produto. Isso trouxe mais previsibilidade, mas não eliminou o peso do tributo. Em 2026, após atualização aprovada pelo Confaz, o ICMS da gasolina subiu para R$ 1,57 por litro, um acréscimo de R$ 0,10 em relação ao ano anterior. No diesel, o imposto estadual passou a ser de R$ 1,17 por litro.

O terceiro componente são os tributos federais: PIS, Cofins e CIDE. Juntos, representam em torno de 11% do preço final da gasolina. O quarto componente é o custo do etanol anidro, que por lei deve ser misturado à gasolina comum em uma proporção de 30% desde agosto de 2025. Esse percentual representa por volta de 13% a 14% do valor final e varia conforme a safra da cana-de-açúcar. O quinto e último componente é a margem de distribuição e revenda, que inclui os custos das distribuidoras, do transporte, da operação dos postos, dos funcionários e da margem de lucro do revendedor. Essa fatia corresponde a cerca de 17% a 18% do total.

No caso do diesel, a composição é um pouco diferente. O combustível não tem etanol misturado, mas contém biodiesel em percentual obrigatório de 14%. O diesel é mais sensível à variação internacional do petróleo, porque tanto a parcela da Petrobras quanto os custos de importação têm peso proporcionalmente maior no seu preço final. Por isso, quando o barril sobe lá fora, o diesel sobe primeiro e mais intensamente do que a gasolina.

Um dado que costuma surpreender as pessoas: a Petrobras vendeu o litro de diesel às distribuidoras por R$ 3,27 em meados de 2025. O preço médio na bomba, no mesmo período, estava em torno de R$ 6,05. Ou seja, entre a refinaria e o posto, o preço praticamente dobra. Isso não significa necessariamente abuso de mercado por parte dos intermediários, porque há tributos, logística e custos operacionais reais nessa diferença. Mas deixa claro que a Petrobras, sozinha, não controla o preço final.

O que o governo anunciou e como funcionam as medidas

Diante da disparada do petróleo, o governo federal reagiu com um conjunto de medidas distribuídas em diferentes etapas ao longo de março e abril de 2026. A primeira rodada de ações, publicada por meio da Medida Provisória 1.340 em março, foi direcionada ao diesel. O governo criou uma subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, custeada integralmente com recursos federais. A MP também instituiu um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto, com o objetivo de criar uma fonte de arrecadação para financiar as medidas de contenção de preços.

Em abril, uma nova MP ampliou as ações para o GLP (o gás de cozinha) e para o setor aéreo. No caso do gás de cozinha, foi criada uma subvenção de R$ 850 por tonelada de produto importado, válida até o final de maio, com limite de R$ 330 milhões. Na prática, isso equivale a uma redução de cerca de R$ 11 por botijão de 13 quilos. Para as companhias aéreas, foram abertas linhas de financiamento para ajudar a equilibrar o impacto da alta do querosene de aviação, além do zeramento do PIS e Cofins sobre esse combustível, gerando uma economia estimada de R$ 0,07 por litro.

Mais recentemente, o governo enviou ao Congresso o PLP 114/2026, um projeto de lei complementar que cria um mecanismo para financiar futuras reduções de PIS, Cofins e CIDE sobre gasolina, diesel, biodiesel e etanol. A proposta usa como fonte as receitas extraordinárias geradas pelo aumento do petróleo, como royalties, dividendos da Petrobras destinados à União e receitas da venda de óleo do pré-sal. A ideia é que, à medida que o petróleo sobe e gera mais arrecadação para o governo, esse dinheiro extra seja usado para reduzir impostos sobre os combustíveis.

Além disso, a redução prevista nos impostos federais pode chegar a R$ 0,10 por litro, com reavaliação a cada dois meses conforme a evolução dos preços internacionais.

O que ficou de fora: a questão do GNV

Entre os combustíveis contemplados pelas medidas do governo, um ficou notavelmente ausente: o GNV, o Gás Natural Veicular. A ausência foi apontada pelo professor Edmar de Almeida como um ponto fraco do pacote, especialmente porque o GNV tem papel relevante em regiões como o Rio de Janeiro, onde é amplamente utilizado por taxistas, motoristas de aplicativo e frotistas.

O Brasil possui uma das maiores frotas mundiais de veículos a GNV em valores absolutos. O combustível tem apelo especialmente forte entre profissionais que rodam muito todos os dias, porque o custo por quilômetro é historicamente menor do que gasolina ou etanol. Um carro movido a GNV percorre em média 14 quilômetros por metro cúbico de gás, enquanto um veículo a gasolina faz cerca de 10 a 12 quilômetros por litro. Essa eficiência superior tornava o GNV especialmente atraente para quem depende do carro para trabalhar.

No entanto, nos últimos anos, o aumento do preço do GNV e a retração na oferta de postos foram reduzindo a atratividade do combustível, sobretudo em São Paulo. Dados do Detran-SP mostraram que a frota ativa de veículos com GNV na capital paulista recuou de 88.300 em 2020 para cerca de 59.000 em 2025, uma queda de mais de 30%. Os pedidos de conversão despencaram mais de 60% no mesmo período.

Mas o Rio de Janeiro conta uma história diferente. Na capital fluminense, o GNV ainda tem presença forte na frota de táxis e de aplicativos, e a exclusão do combustível das medidas de alívio fiscal gerou insatisfação entre profissionais do setor. Quando o pacote favorece diesel, gasolina e etanol mas ignora o GNV, quem depende do gás natural para trabalhar fica com a conta inteira.

O problema do planejamento: diesel de um jeito, gasolina de outro

Uma das críticas mais contundentes feitas pelo professor Edmar de Almeida foi a inconsistência na forma como o governo financiou as medidas para diferentes combustíveis. Para o diesel, o governo criou um imposto novo sobre as exportações de petróleo para bancar a subvenção. Para a gasolina, a lógica foi diferente: o governo quis usar o aumento natural da arrecadação gerado pela alta do petróleo, sem criar um novo tributo.

O especialista fez uma pergunta simples e direta: se o aumento da arrecadação é suficiente para financiar a medida da gasolina, por que ele não foi usado desde o início, quando a medida do diesel foi anunciada? Por que foi necessário criar um imposto de exportação novo para o diesel, se a receita extra já existia?

A resposta é que não havia um plano integrado. Cada medida foi construída de forma isolada, respondendo à urgência do momento, sem que houvesse uma estratégia unificada para o setor de combustíveis. É como apagar incêndios com baldes diferentes, cada um vindo de fontes diferentes, enquanto o fogo já está em vários cômodos ao mesmo tempo.

Essa ausência de planejamento integrado não é um detalhe menor. Ela cria distorções de mercado, gera insegurança jurídica para empresas que operam na cadeia de combustíveis, e dificulta a previsibilidade necessária para decisões de investimento em infraestrutura energética. No longo prazo, um país que não tem uma política estruturada para lidar com choques de preço de energia fica sempre refém da próxima crise.

Medidas com prazo de validade, guerra sem data de fim

Talvez o ponto mais preocupante de todo o pacote seja a assimetria entre o prazo das medidas e a duração do conflito que as motivou. As subvenções anunciadas têm data para acabar: a medida para o GLP vai até o final de maio, a subvenção para o diesel importado foi limitada a determinados meses, e os cortes de impostos federais serão reavaliados a cada dois meses. O próprio governo vinculou a duração das políticas à “duração da guerra”.

O problema é que ninguém sabe quando a guerra vai acabar. O conflito envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz é uma crise geopolítica com variáveis que escapam completamente do controle do governo brasileiro. Se em dois meses o petróleo ainda estiver acima de US$ 100 e as medidas precisarem ser renovadas, qual será o custo fiscal acumulado? E se o barril subir ainda mais?

O professor Edmar de Almeida levantou um alerta que precisa ser levado a sério: ao intervir de forma intensa agora, com o petróleo por volta de US$ 100, o governo pode estar gastando a sua “munição” de política econômica antes da hora. Entre 2010 e 2014, o petróleo ficou por longos períodos acima de US$ 100 por barril, e isso era considerado o preço normal da época. Corrigido pela inflação americana dos últimos dez anos, esse patamar equivaleria a algo em torno de US$ 130 a US$ 140 hoje. Se o barril caminhar nessa direção, o que restará como instrumento para o governo agir?

Os mecanismos disponíveis são limitados. Do lado federal, há a possibilidade de desoneração de PIS, Cofins e CIDE. Do lado estadual, há margem para redução do ICMS, mas isso depende de negociação com cada estado, que protege sua arrecadação. A Petrobras pode absorver parte da pressão não repassando integralmente os custos internacionais aos distribuidores, mas isso tem um custo financeiro que afeta os resultados da estatal e, portanto, os dividendos pagos à União. Por fim, há as reservas estratégicas de petróleo, que permitem alguma suavização de curto prazo, mas não resolvem estruturalmente o problema.

Por que o preço do petróleo a US$ 100 não é necessariamente uma catástrofe histórica

Vale fazer um exercício de perspectiva histórica. O petróleo a US$ 100 por barril parece muito, mas não é um patamar inédito nem excepcional quando olhamos para as últimas décadas.

Entre 2010 e 2014, o barril de petróleo ficou sistematicamente acima dos US$ 100 por longos períodos. Em 2012, o Brent operou com médias anuais superiores a US$ 110. Naquela época, a economia mundial funcionou, os países continuaram abastecendo suas populações e o Brasil não entrou em colapso energético. O que havia era pressão sobre os custos, especialmente para países importadores líquidos de petróleo.

Se considerarmos a inflação acumulada nos Estados Unidos desde 2012 até 2026, US$ 100 de hoje equivaleria a um poder de compra significativamente menor do que os US$ 100 de 2012. Em termos reais, o petróleo atual, por volta dos US$ 100 a US$ 105, ainda está longe dos picos históricos ajustados pela inflação. O barril mais caro da história, em termos reais, ocorreu durante a crise do petróleo da década de 1970.

Isso não significa que o problema atual seja pequeno ou que não mereça atenção. Significa que o nível de alarme precisa ser calibrado adequadamente, para que os instrumentos de política econômica sejam utilizados de forma racional e não se esgotem prematuramente. Reagir a US$ 100 como se fosse o fim do mundo pode deixar o país sem ferramentas para quando a situação for de fato mais grave.

Em 2022, por exemplo, com a guerra na Ucrânia, o petróleo chegou a superar os US$ 120 por barril, e o Brasil enfrentou uma crise de abastecimento de combustíveis que gerou greves de caminhoneiros e escassez em algumas regiões. Naquela ocasião, as ferramentas de política energética foram acionadas também de forma emergencial. A repetição desse padrão, crise atrás de crise sem uma resposta estrutural, é o que preocupa os especialistas.

O impacto no transporte de cargas e no bolso do consumidor

Para quem nunca dirige um caminhão, pode parecer distante a relação entre o preço do diesel e o valor do pão de queijo no mercado. Mas essa conexão é muito real e muito direta.

O Brasil é um país de dimensões continentais e com uma dependência histórica do transporte rodoviário para mover sua produção. Segundo dados do setor, aproximadamente 65% de todas as mercadorias que circulam no país passam por rodovias em algum ponto da cadeia logística. Para as empresas de transporte, o diesel não é apenas um insumo como qualquer outro: ele representa entre 35% e 50% de todos os custos operacionais de uma viagem.

Quando o diesel sobe 20%, o custo de transporte sobe junto, e a conta não fica com o caminhoneiro. Ela é repassada adiante. Estimativas do setor apontam que um aumento expressivo no diesel pode elevar os fretes de 10% a 25%, dependendo da rota e do tipo de carga. E esse custo maior nos fretes vai direto para o preço dos produtos nas gôndolas dos supermercados, nas farmácias e nas lojas de materiais de construção.

O impacto é ainda mais sensível no agronegócio. O diesel é essencial para o funcionamento de máquinas agrícolas, para o transporte de insumos do campo e para o escoamento da safra. Quando o combustível sobe de forma expressiva durante o período de plantio ou colheita, o custo de produção dos alimentos sobe junto, e isso pressiona a inflação de alimentos, que por sua vez afeta desproporcionalmente as famílias de menor renda, que gastam uma fatia maior do orçamento com comida.

Um dado que ilustra bem essa dinâmica: o Banco Central do Brasil tem mencionado em seus relatórios de inflação a pressão dos custos de combustível como um dos fatores de risco para o IPCA em 2026. Quando o preço do diesel sobe de maneira estrutural e prolongada, o efeito sobre a inflação não é imediato, mas é persistente. Ele vai aparecer no preço das verduras, no frete do colchão que você comprou pela internet, na entrega do botijão de gás, no valor da passagem de ônibus.

O etanol como amortecedor e seus limites

O Brasil tem uma vantagem competitiva única no mundo quando se trata de lidar com choques de preço de combustíveis: a existência de uma matriz energética com participação expressiva do etanol. Nenhum outro país combina a dimensão da produção de cana-de-açúcar, a tecnologia de processamento e a infraestrutura de distribuição que o Brasil desenvolveu ao longo de décadas.

O etanol funciona como um amortecedor natural. Quando o preço da gasolina sobe muito, uma parte dos consumidores migra para o etanol hidratado, que passa a ser mais competitivo. Isso distribui a demanda, reduz a pressão sobre a gasolina e cria um mecanismo de estabilização automático que outros países simplesmente não têm.

Uma das medidas consideradas pelo governo em 2026 foi o aumento do percentual de etanol anidro misturado à gasolina. Quanto maior a proporção de etanol na mistura, menor a quantidade de gasolina pura necessária, o que pode ajudar a reduzir a dependência do derivado de petróleo. Esse ajuste é tecnicamente possível dentro de certos limites, já que os motores flexíveis modernos têm capacidade de rodar com diferentes proporções de etanol na gasolina.

No entanto, há um limite para esse alívio. O preço do etanol também sofre variações, especialmente em períodos de entressafra da cana-de-açúcar. Em 2025, o etanol foi o combustível que mais subiu entre todos os tipos, com alta próxima de 5% ao longo do ano, pressionado justamente pela menor disponibilidade de cana no segundo semestre. Se o etanol também sobe, a vantagem competitiva se reduz, e o amortecedor perde parte do seu efeito.

Fundo de estabilização e outras alternativas de longo prazo

Um tema que volta à tona em cada crise de combustíveis no Brasil é a criação de um fundo de estabilização de preços. A ideia é simples: nos períodos em que o petróleo está barato e a arrecadação do setor é maior, o governo acumula reservas em um fundo específico. Quando o petróleo dispara, o fundo é acionado para subsidiar ou compensar parte do aumento, evitando a transmissão integral da alta para o consumidor.

Países como Noruega e Canadá têm estruturas semelhantes, embora com objetivos mais amplos, voltados para a gestão dos recursos naturais de forma intergeracional. A diferença é que esses países instituíram suas regras em momentos de bonança, com calma e visão de longo prazo. O Brasil, historicamente, tenta criar essas regras no meio da crise, quando a pressão política e fiscal é alta demais para permitir um desenho técnico adequado.

O PLP 114/2026, enviado pelo governo ao Congresso, é uma tentativa de criar um mecanismo semelhante, usando as receitas extraordinárias do petróleo para financiar desonerações de combustíveis. É um passo na direção certa, mas ainda é uma resposta à crise, e não uma política de Estado pensada para o longo prazo.

O que os especialistas sugerem, de forma consistente, é que o Brasil precisa de uma política energética integrada, que considere ao mesmo tempo a precificação de combustíveis fósseis, o papel dos biocombustíveis, a transição para energias renováveis, a questão do transporte público de massa e a diversificação da matriz de mobilidade. Enquanto o país seguir dependendo do caminhão a diesel para mover sua produção e do carro a gasolina para mover sua população, qualquer choque externo no mercado de petróleo vai continuar chegando com força total no cotidiano das famílias.

Transparência na cadeia: o que o consumidor tem direito de saber

Uma das medidas inseridas na MP de abril foi o fortalecimento dos poderes de fiscalização da ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. O governo autorizou a agência a aplicar penalidades mais severas em casos de aumento abusivo de preços ou recusa de fornecimento em situações de conflito ou calamidade. Isso é relevante porque uma das dificuldades históricas do setor é a falta de transparência ao longo da cadeia de valor.

Dados compilados por economistas e publicados em 2025 mostraram um fenômeno que irritou muito o mercado: a Petrobras reduziu o preço do diesel vendido às distribuidoras em 12% ao longo de 2025, mas o preço na bomba subiu 3% no mesmo período. O gap foi absorvido pelo aumento da margem de lucro dos postos, que cresceu cerca de 50% desde o final de 2024.

Isso não é necessariamente ilegal dentro da estrutura atual do mercado de combustíveis, porque os preços são livres em cada etapa da cadeia. Mas levanta uma questão importante: quão eficiente é um sistema de desonerações e subvenções governamentais se uma parcela significativa do benefício pode ser retida pelos intermediários antes de chegar ao consumidor final?

A resposta exige monitoramento contínuo, transparência de dados e fiscalização efetiva. A ANP tem papel central nisso, e seu fortalecimento institucional é uma das medidas mais estruturais do pacote, embora seja a que recebe menos atenção na cobertura da mídia, que foca nos números dos impostos e das subvenções.

O que esperar daqui para frente

A trajetória dos preços de combustíveis nos próximos meses depende fundamentalmente de três variáveis que o Brasil não controla: a evolução do conflito no Oriente Médio e seu impacto sobre o Estreito de Ormuz, o comportamento do dólar frente ao real, e as decisões de produção dos países membros da OPEP e de outros grandes exportadores.

Se o conflito se encaminhar para uma solução diplomática e o Estreito de Ormuz voltar a operar com normalidade, há espaço para uma queda nos preços internacionais do petróleo. Nesse cenário, as medidas do governo perdem relevância gradualmente, e o mercado se ajusta sem grande intervenção adicional. Se, ao contrário, o conflito se prolongar ou escalar, o governo brasileiro vai ter que renovar as medidas, encontrar novas fontes de financiamento e enfrentar um custo fiscal crescente.

Há ainda um terceiro cenário, menos discutido mas igualmente relevante: uma desvalorização do real frente ao dólar. Mesmo que o petróleo internacional se estabilize em torno de US$ 100, uma alta significativa do câmbio encarece tanto o combustível importado quanto o derivado nacional, que é precificado com referência no mercado externo. O Brasil tem convivido com um real pressionado em razão das incertezas fiscais internas e do cenário externo de taxas de juros elevadas nas economias desenvolvidas. Se o câmbio piorar, todo o esforço de desonerar combustíveis pode ser parcialmente anulado pelo efeito cambial.

O que parece certo é que o atual modelo de gestão emergencial, com medidas pontuais e prazos curtos, não é sustentável como política de longo prazo. O Brasil precisa de um debate sério sobre sua dependência estrutural do petróleo e dos derivados, sobre o papel do transporte rodoviário na logística nacional, sobre o investimento em infraestrutura de transporte de massa, e sobre a transição para uma matriz energética mais diversificada e resiliente.

Enquanto esse debate não acontece, cada novo conflito no Oriente Médio, cada tempestade nos mercados financeiros internacionais, cada seca que prejudica a safra de cana-de-açúcar vai continuar chegando ao posto de combustível mais próximo de você sob a forma de um número maior no painel digital da bomba. E o governo vai continuar tendo que responder às pressas, com medidas afobadas, como bem disse o professor da PUC-Rio.

Um recado para quem depende do combustível para trabalhar

Para motoristas de aplicativo, taxistas, transportadores autônomos, frotistas e qualquer profissional que usa o combustível como ferramenta de trabalho, o momento exige atenção redobrada e planejamento financeiro mais cuidadoso. As medidas anunciadas pelo governo podem ajudar no curto prazo, mas não eliminam a volatilidade do mercado.

Usar aplicativos de comparação de preços entre postos, manter o veículo com revisão em dia para garantir o melhor rendimento possível, avaliar o custo-benefício entre diferentes combustíveis a cada abastecimento e estar atento às variações do mercado são atitudes que fazem diferença prática no caixa de quem trabalha na rua.

Para empresas de transporte e logística, o momento reforça a importância de contratos de frete com cláusulas de reajuste atreladas à variação de combustível, da diversificação de fornecedores e do investimento em eficiência operacional, como a otimização de rotas e o monitoramento do desempenho dos veículos.

O combustível é um insumo essencial para a economia brasileira. Quando ele fica caro, todo mundo sente. Quando as políticas para lidar com isso são improvisadas e desconexas, o remédio pode funcionar no curto prazo, mas não trata a doença. E a doença, no caso do Brasil, chama-se falta de planejamento energético de longo prazo.

Perguntas frequentes

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